segunda-feira, 7 de abril de 2008

GOVERNO SINDICAL

NÃO É ESTRANHO QUE NO PASSADO AS CENTRAIS SINDICAIS COMO A CUT E A CGT VIVESSEM BRIGANDO COM OS GOVERNOS E QUE AGORA NÃO DÃO UM PIO SOBRE NADA? NÃO, NÃO É ESTRANHO NÃO!

Elite sindical tem 45% dos altos cargos

Grupo com escolaridade acima da média teve 50% de reajuste no primeiro governo Lula, aponta estudo da FGV

Wilson Tosta

Uma elite formada por 45% de sindicalizados com escolaridade acima da média brasileira - quase metade tem curso de mestrado, doutorado e pós-doutorado - ocupa os postos mais importantes da cúpula da administração federal. O perfil foi traçado na pesquisa Governo Lula: Contornos Sociais e Políticos da Elite do Poder, coordenada por Maria Celina D?Araújo, da Fundação Getúlio Vargas.

Esse grupo teve reajuste salarial de até 50% no primeiro governo Lula. Em três quartos dos casos, não tem filiação partidária - ainda assim, é um índice alto em relação à população geral, menor que 3%. O estudo, a partir de 302 questionários com ocupantes de cargos DAS-5, DAS-6 e NES (de natureza especial), lembra que só 14,5% dos brasileiros são sindicalizados.

Segundo o trabalho, com informações de 2006 do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, dos 226 ocupantes de cargos DAS-5 e DAS-6 e 36 de NES que responderam às perguntas, 10,6% eram de centrais sindicais; 35,1%, de conselhos profissionais; 46%, de algum movimento social. Só 5% eram de entidades patronais.

Entre os pesquisados, 31,8% participavam de conselhos gestores; 23,8%, de experiências de gestão local; 10,6%, em entidades do terceiro setor. Em números absolutos, os ativistas de movimentos sociais eram maioria, com 139 pessoas. Em segundo, vinha o número de sindicalizados, 136. A participação em conselho veio em terceiro (106).

Um em cada quatro pesquisados estudou no exterior, 48,8% tinham cursos de mestrado, doutorado ou pós-doutorado e 32,9%, de especialização. O perfil também apontou 19,8% de filiados ao PT, 1,32% ao PC do B, 0,33% do PDT, 0,66% do PSB, 0,33% do PV, 0,33% do PCB e até legendas de oposição: 0,99% do PPS e 0,99% do PSDB. Em contraste, só 2,6% dos brasileiros são filiados a partidos.

O estudo mostra que a maior concentração de petistas, em termos absolutos, está nas áreas de Desenvolvimento (24) e Presidência (14). "Saúde e Justiça aparecem como as áreas com menor concentração de filiados e, sintomaticamente, a área econômica não tem nenhum", informa o texto.

AMOSTRA

Para fechar a amostra com que elaborou a pesquisa, a equipe da FGV partiu de uma listagem de 1.269 cargos, fornecida pela Secretaria de Gestão do Ministério do Planejamento. Desses postos, 1.202 estavam ocupados, em 69 órgãos. Foram identificados os nomes de 1.150 ocupantes, dos quais 1.013 foram contactados e receberam os questionários. Em fevereiro de 2007, a consulta foi encerrada, com 278 (27,4%) questionários respondidos, numa taxa de retorno considerada alta.

Outras 24 pessoas tiveram questionários completados a partir de informações em currículos oficiais e constantes na imprensa. O universo de cargos pesquisados inclui secretários e subsecretários, dirigentes de autarquias e fundações, assessores especiais, chefes de gabinete de ministros, diretores de departamento, consultores jurídicos, secretários de controle interno, subsecretários de planejamento, orçamento e gestão.

A pesquisa mostra ainda que, de 1996 a 2006, os cargos DAS-5 cresceram de 503 para 936 (86%); os DAS-6, de 128 para 194 (51,56%); os NES, de 51 para 50 (menos 2%). O número geral de cargos de confiança de DAS-1 a DAS-6, mais NES, de 1996 a 2006, passou de 17.227 para 19.797 - aumento de 14,2%.

No período, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população brasileira cresceu 19,2%. De 2002, último ano do governo Fernando Henrique Cardoso, até o fim de 2006, último ano do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o número de cargos cresceu de 18.374 para 19.797, ou seja, 7,7%. A população brasileira, no período, aumentou 7,9%.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

GALINHEIRO FEDERAL


Senador do PMDB diz que não é machista e manda Lula cacarejar

GABRIELA GUERREIRO
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

Depois de chamar a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) de "galinha cacarejadora" ontem, o senador Mão Santa (PMDB-PI) disse nesta quinta-feira que também manda "cacarejar" o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O senador subiu à tribuna do plenário para se explicar sobre a expressão utilizada para se referir a Dilma, mas acabou usando a mesma classificação para Lula com o objetivo de afastar as críticas de que o seu comentário foi machista.

"O Luiz Inácio, com todo o respeito, eu o mando cacarejar. É isso que quer dizer. Todos os homens e mulheres. Não tem sexo isso. Jamais foi [a minha intenção]. Eu desafio. As mulheres me conhecem. Eu as amo", afirmou.

Mão Santa disse que, desde ontem, recebeu mais de 100 e-mails de mulheres com protestos contra o seu comentário. Parte da bancada feminina do Senado também decidiu pedir uma retratação formal ao senador em um manifesto contra as suas palavras, com o argumento de que Mão Santa foi machista ao comparar a ministra a uma galinha.

"O senador Mão Santa passou dos limites ao se referir à nossa querida Dilma de forma pejorativa e desrespeitosa. Digo desrespeitosa à ministra Dilma pela sua história. Jamais poderia, nenhuma mulher deste país, ser chamada da galinha 'cacarejenta', isso é inaceitável. O senador Mão Santa, ao dirigir-se dessa forma à nossa ministra Dilma atingiu todas as mulheres deste país", criticou a senadora Serys Slhessarenko (PT-MT).

A líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), ameaçou entrar com uma representação contra Mão Santa, caso até segunda-feira ele não se retratar.

Bem-humorado, o peemedebista disse que sempre respeitou as mulheres e citou sua própria família para negar que seja machista. "Tenho uma vida dedicada a uma especialização de obstetra e de ginecologia. Sei que aqui se diz que galinha é namoradeira, não sei o quê. Mas nunca, nem para as namoradeiras eu atingi. Nunca, na minha vida, pode fazer e vasculhar. Agora, linguagem é um ponto de desentendimento."

O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) reagiu com ironia ao defender as palavras de Mão Santa. "Em defesa da galinha, o bicho", disse ele. "A senadora Serys, seguindo um marqueteiro do PT, está tentando transformar um episódio no fim do mundo. Evidentemente que, senadora Serys, o termo "galinha" pode ou não ter sentido pejorativo. Não quero crer que o senador Mão Santa, pela sua formação, tenha usado o termo no sentido pejorativo."

ACREDITE... SE QUISER


Presidente Lula diz que não tira proveito político do PAC

da Folha Online

O presidente Luís Inácio Lula da Silva afirmou na tarde desta quinta-feira, no Rio Grande do Sul, que não está tirando proveito político do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) porque ele não está disputando eleições para presidente.

"Tem gente que acha que isso aqui é política, que eu estou tirando proveito político. Eu não tenho eleição para presidente, portanto, o que eu tenho são muitos investimentos do governo federal".

Lula afirmou que continuará viajando o Brasil para promover as obras do programa. "Nós estamos viajando agora e vamos continuar viajando depois. Eu posso viajar com os governadores, com os secretários".

Ele afirmou que será um fracasso político para ele se, em 2010, os R$ 504 bilhões do programa não forem totalmente investidos. "Quando a Dilma Rousseff [ministra da Casa Civil] for fazer o cálculo e provar que dos 504 bilhões, nós só gastamos 300 bilhões porque não tinha projeto, aí será uma demonstração de fracasso, de irresponsabilidade de todo mundo".

MORCEGOS CARIOCAS, TREMEI!

O PRÍNCIPE DAS TREVAS, OZZY OSBOURNE, FEZ SHOW ONTEM NO RIO.
OS MORCEGOS CARIOCAS QUE SE CUIDEM. OZZY É PROTAGONISTA DE UMA HISTÓRIA HORRIPILANTE: TERIA ARRANCADO A CABEÇA DE UM MORCEGO COM OS DENTES.
MAIS HORRIPILANTE AINDA É A DENGUE NA CIDADE MARAVILHOSA...
VADE RETRO, AEDES AEGYPTI!

ATENDADOS CONTRA A DEMOCRACIA


QUEM É ELEITO DEMOCRATICAMENTE NÃO PODE SER AFASTADO DO CARGO?

ALÔ, FERNANDO COLLOR!
A CADA DIA QUE PASSA, MAIS UM TIRO NA DEMOCRACIA. VAMOS VER ATÉ QUANDO ELA RESISTE...



Estudantes invadem Universidade de Brasília e pedem a saída do reitor

Estudantes invadiram na noite de quinta-feira (3) a reitoria da Universidade de Brasília (UnB). Eles pedem o afastamento imediato do reitor Timothy Mulholland.

Os estudantes dormiram no gabinete do reitor. A direção da universidade cortou o fornecimento de água e de energia. A Policia Federal faz a segurança.

Além da saída do reitor, os estudantes querem a abertura das contas de todas as fundações ligadas à universidade. Entre elas, a Finatec, que teria usado dinheiro de pesquisa para decorar o apartamento funcional do reitor – uma despesa de R$ 470 mil.

A assessoria da UnB declarou que o reitor Timothy Mulholand não deixará o cargo, porque foi eleito democraticamente.

SÓ PRA VARIAR...


NOVIDADE? SURPRESO?


Balanço do PAC divulgado por Dilma está errado, diz TCU

Órgão se declara 'espantado' com informação de que 80% das ações do programa estão em dia

Luiz Roberto Marinho, de O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - O Tribunal de Contas da União discorda da informação de que 80% das ações do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) estão em dia. O TCU declara-se espantado com o dado do balanço do programa, feito com pompa e circunstância pela ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Dilma Roussef, em 22 de janeiro último.

Veja também:

ESPECIAL: o balanço do PAC

"De acordo com o 2º balanço do PAC, das 2014 ações monitoradas, cerca de 80% delas receberam a classificação verde. A informação de que 80% das ações estão dentro do cronograma e sem riscos administrados causa certo espanto, diante da baixa execução orçamentária", diz relatório do TCU assinado pelo ministro Benjamim Zymler, votado no dia 19 de março passado e divulgado no site do Tribunal.

A divulgação do relatório levou o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) a obter hoje, em tumultuada reunião da Comissão de Infra-Estrutura do Senado, a convocação de Dilma Roussef para fazer um balanço do PAC à Comissão. Será a oportunidade para a Oposição inquirir a ministra sobre o suposto dossiê com gastos do casal Fernando Henrique/Ruth Cardoso.

Pelos cálculos do TCU, apenas 12% do orçamento do PAC havia sido pago até o início de novembro de 2007, indicando baixa execução orçamentária, "em contraste com a avaliação feita pelo Gepac (Grupo de Execução do PAC), que considera que 80% das ações estão com o cronograma em dia", atesta o relatório, de 28 páginas.

O Tribunal sublinha que mesmo se o Gepac levasse em consideração, além dos valores pagos, os valores empenhados (reservados para determinada obra ou serviço), o índice de execução do PAC seria de 53%. Se além de tudo isso fossem computados os restos a pagar (valores empenhados e não liquidados), tal índice seria de 64% em novembro - todos abaixo, portanto, dos 80% divulgados pelo governo.

O relatório do TCU avaliou também se houve ou não benefícios no fato de projetos terem sido incluídos no PAC. Em 63 projetos nos quais foi possível fazer esta avaliação, constatou que somente 36,5%(23 projetos) apresentaram efeitos positivos na aceleração do cronograma e no aporte e pagamento de recursos.

O Tribunal de Contas constatou igualmente problemas de comunicação entre o Gepac e os gestores do programa, isto é, entre a coordenação e a ponta. Nada menos do que 27% de 103 gestores de projetos ouvidos pelo TCU desconheciam que os empreendimentos sob sua coordenação estavam incluídos no PAC, descobriu o relatório.

Entre outros itens do PAC,o relatório do TCU analisou ainda as obras de geração de energia elétrica e as fontes de financiamento do programa.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

O GOLPE REVOLU$$IONÁRIO EM PLENO ANDAMENTO DESDE 2003



PERCEBE A HIPOCRISIA MARXISTA?
OS EUA SEMPRE SÃO A ESCÓRIA DO PLANETA. MAS QUANDO É PARA SE TENTAR, DESONESTAMENTE, LUDIBRIAR O POVO POR INTERMÉDIO DE UM FATO HISTÓRICO, E TENTAR, POR MEIO DE UMA SIMPLES SITAÇÃO FORA DE CONTEXTO, LEGITIMAR UM GOLPE CONTRA O POVO E A DEMOCRACIA, ENTÃO, TUDO BEM DAR O EXEMPLO ESTADUNIDENSE.
PIOR: TUDO PELA BOCA DE DIRCEU, ACUSADO PELO MINISTÉRIO PÚBLICO DE LIDERAR UMA "SOFISTICADA ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA".
SOMOS UMA VERGONHA PARA O MUNDO CIVILIZADO... DO QUAL, PELO QUE PARECE, NÃO FAZEMOS PARTE.
À ÉPOCA DE ROOSEVELT A HISTÓRIA ERA MUUUIIITTOOOOO DIFERENTE DA ATUAL. VEJA OS LIVROS DE HISTÓRIA PARA TER SUA PRÓPRIA CONCLUSÃO.
VIVA LA REVOLUCIÓN!

Dirceu diz que terceiro mandato não é inconstitucional

da Folha Online

O ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) defendeu hoje em seu blog a constitucionalidade do terceiro mandato presidencial. Segundo ele, nada impede que a Constituição seja alterada para permitir o terceiro mandato.

"Mas a realidade é outra, e tanto não proíbe que o PSDB e o PFL, hoje DEM, aprovaram um segundo mandato para Fernando Henrique Cardoso. Pior, fizeram-no no final do primeiro mandato. Para FHC mudaram as regras do jogo ao término do segundo tempo e nada. Só para Lula é que é golpe e inconstitucional", diz ele no blog.

Segundo ele, cabe ao STF (Supremo Tribunal Federal) se manifestar sobre o tema. "Nada impede que a Constituição seja mudada para permitir um terceiro mandato. Aí caberia ao STF se pronunciar sobre a constitucionalidade da mudança e não a mídia ou a oposição."

A declaração de Dirceu ocorre um dia depois do vice-presidente, José Alencar (PRB-MG), defender a ampliação do mandato de Lula. "O Lula tem feito muito. Mas falta muito por fazer. Sou um democrata. Não aceitamos conversar outra coisa que não seja discutir a democracia. O Lula deseja fazer o seu sucessor. Mas eu digo que se perguntar aos brasileiros, o que os brasileiros desejam é que o Lula fique mais tempo no poder. Porque está bem o Lula, vai bem o Lula. Raramente encontramos um cidadão como ele para dirigir o país", disse Alencar.

Hoje, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que não vai entrar na discussão sobre um eventual terceiro mandato. "Cada um fala o que quer. Não vou entrar nesse debate porque tenho coisa mais séria para fazer. Meu papel agora, até 2010, é fazer vocês viajarem mais comigo para acompanharem obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)", disse ele, sem mencionar o nome de Alencar.

O presidente afirmou que está cansado de participar de eleições. "Eu sou o cidadão mais cansado de eleições. Se tem uma coisa que eu não gostaria de fazer era discutir eleições. Eu fiz eleição em 1982, 1986, 1988, 1990, 1992, 1994, 1996, 1998, 2000, 2002, 2004, 2006, chega um pouco. Cansei. Chega! Agora preciso descansar."

Roosevelt

Como exemplo de terceiro mandato, Alencar citou o norte-americano Franklin Roosevelt. "Nos Estados Unidos tem quatro anos e mais quatro anos [de mandato]. Mas nos anos 30 o Roosevelt teve um terceiro mandato porque os EUA precisavam que ele continuasse."

Questionado se o Brasil precisava de um terceiro mandato, Alencar respondeu: "Por isso estamos preocupados com o trabalho. Estamos só começando. Só cumprimos o primeiro ano do segundo mandato. Não pode haver descontinuidade. Por isso ele [Lula] precisa fazer sucessor."

REVOLU$$IONÁRIOS PROGREÇISTAS


Petista volta a prometer PEC do 3º mandato

MARIA CLARA CABRAL
da Folha de S.Paulo, em Brasília


O deputado Devanir Ribeiro (PT-SP) prometeu ontem que apresenta até a semana que vem uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que, se aprovada, permitirá o terceiro mandato do presidente Lula.

O parlamentar, que ganhou apoiadores no Congresso, acredita que, com a declaração do vice-presidente José Alencar --que disse que o povo deseja Lula mais tempo no poder--, a discussão ganhará espaço.

O petista rejeita o rótulo de "golpista", como sugeriu a oposição, e afirmou que a sua idéia é apenas dar uma nova leitura à Constituição com o apoio do povo. "O que o Congresso aprova não é golpe e estou seguro que o partido terá que discutir a minha tese. O partido não pode ficar de costas para o povo e estou convicto de que o povo aceitará essa discussão, de que o momento é oportuno", disse.

Miro Teixeira (PDT-RJ) declarou ontem seu apoio abertamente a Devanir e classificou como "absurda" a posição de alguns de tentar "calar" o petista. Miro Teixeira afirmou que já passou da hora de o Legislativo começar uma discussão sobre reeleição e tempo do mandato.

"Temos que lembrar que, com medo de o Lula ser eleito, mudaram o mandato presidencial de cinco para quatro anos e que no meio do governo tucano permitiram a reeleição. Depois querem falar que o Devanir que é casuísta?", questionou Miro. "Acho que o debate é instigante e não tem relação com dar o terceiro mandato para o Lula --quem dá mais um mandato é o povo. Vamos discutir, mas quem vai decidir é o povo."

Devanir ainda não finalizou a sua PEC. A idéia, segundo ele, é recuperar o texto da Constituição de 1988, aumentando o mandato do presidente para cinco anos, sem reeleição. O deputado petista também pretende colocar uma emenda em sua proposta que permita que qualquer um possa se eleger com as novas regras, inclusive o próprio Lula. A idéia de um plebiscito, convocado pelo próprio presidente, também não está descartada.

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), descartou a hipótese de a proposta ser votada na Câmara neste ano. Para ele, o assunto não tem espaço na Casa e qualquer tentativa de um terceiro mandato não prosperaria entre os deputados. "Avalio que a idéia não tem espaço, não vejo clima para prosperar e eu pessoalmente também sou contra a idéia [do terceiro mandato]", disse.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u388499.shtml

quarta-feira, 2 de abril de 2008

"DESPERATE GENIUS"

Metropolitan Museum abre retrospectiva de Gustave Courbet

O Metropolitan Museum abre neste fim de semana uma retrospectiva da obra do francês Gustave Courbet. Trata-se de um mestre do realismo, com uma carreira pontuada por uma série de controvérsias que foram da ousadia de seus nus à entrada em cena de personagens populares, que até então não eram objeto de obras de arte.

A mudança de paradigma provocada pela defesa do realismo na pintura levou Courbet a tornar-se referência para a abertura de um caminho para os impressionistas, entre eles Manet, Monet, Degas. Participou da Comuna de Paris de 1871 e morreu no exílio seis anos depois. A mostra do Metropolitan trazpara Nova York mais de 130 óleos e trabalhos sobre papel de um dos artistas mais provocativos do século XIX, com a colaboração do Louvre e do Musée d'Orsay, além de obras que pertencem a colecionadores particulares.

A curadoria foi feita por Gary Tinterow. É o Metropolitan voltando à sua melhor forma, depois de uma retrospectiva sofrível de Rembrandt. A mostra reúne vários trabalhos importantes de Courbet, entre eles suas primeiras pinturas pastorais, alguns nus polêmicos como "Woman with a parrot" (que causou escândalo no Salão de arte de 1866) e até um de seus famosos auto-retratos, "The desperate man" (de 1844), que pertence a uma coleção particular e raramente é exibido (a foto abaixo é cortesia do Metropolitan). A retrospectiva fica em cartaz até 18 de maio.

VEJA MAIS SOBRE COUBERT
http://www.metmuseum.org/special/se_event.asp?OccurrenceId=%7B13F483EC-3584-41B6-913A-1FE9D6181CBB%7D

1968 NÃO ACABOU...


1968 ataca novamente

Os 40 anos dos conflitos e experiências daquele ano convidam a um acerto de contas com os ideais e um balanço de vida diante de um mundo ainda extremamente desigual

por Marcelo Ridenti

No fim de 2007, antecipando-se à comemoração do 40º aniversário de 1968, o jornalista Elio Gaspari prenunciava em sua coluna o tom (auto)crítico que têm tomado as discussões, ao dizer que melhor seria se aquele ano não tivesse existido, ao contrário de 1989, este sim o ano significativo, devido ao colapso do império soviético. Já o ex-guerrilheiro Fernando Gabeira declarou que gostaria de “dizer adeus a tudo isso”.

São bem-vindos todos os debates, análises, críticas e autocríticas sobre 1968, que deve ser desmistificado. Mas qual 1968? Os movimentos contestadores de então foram muito diversificados, dos que pregavam paz e amor contra a guerra no Vietnã aos que achavam que flores não vencem canhões, inspirados na revolução cubana. O inconformismo ia da Primavera de Praga contra o socialismo real às insurgências contra o capitalismo mundo afora; das lutas específicas de mulheres, negros e homossexuais à contracultura e ao movimento ambientalista.

Acertar as contas com 1968 pode significar coisas diferentes para quem faz um balanço de vida: há os que se penitenciam pela crença na violência popular, os que atestam os exageros da liberdade sexual que redundaram na aids, sem contar que a aposta no potencial libertador do uso de drogas acabou tragicamente, como se sabe.

Por sua vez, os estudos acadêmicos espalham-se por todo o planeta, gerando uma infinidade de interpretações, desde as que vêem 1968 como uma insurgência contra o capitalismo até as que o consideram um exercício de modernização social, prefigurando o individualismo dos anos 70 e 80. O tema não se esgota e o mais provável é que um encadeamento de circunstâncias explique a época de 1968.

O que teria marcado essa época, dando-lhe unidade, apesar das diferenças? O sentimento generalizado de que transformações sociais profundas estavam ao alcance das mãos, e de que o mundo caminhava para elas. Parecia urgente transformar, e não conformar-se com a ordem estabelecida. Há quem interprete os anos 60 como a era da teoria. De fato, não faltavam teorizações. Mas a ação importava muito mais. Mais do que interpretar o mundo, buscava-se mudar a vida em todos os aspectos, construindo alternativas de existência que fugissem da polarização da Guerra Fria entre o capitalismo americano e o modelo soviético de socialismo.

No aspecto político, o que está em jogo hoje no debate sobre 1968 não é tanto a interpretação de suas causas e conseqüências, alcances e limites, mas a luta em novos termos entre os que se acomodaram à nova ordem mundial e aqueles que herdaram o espírito de 1968 e hoje apostam que “um outro mundo é possível”, em que os valores fundamentais não sejam os do lucro, mas da convivência e realização plena dos seres humanos, em suas relações entre si e com a natureza, que se expressam em lutas pela preservação do meio ambiente, pela igualdade entre os sexos, as culturas e as etnias, sem contar os embates renovados por um socialismo democrático.

Marcelo Ridenti é professor titular de sociologia da Universidade de Campinas (Unicamp) e pesquisador do CNPq. É autor de Em busca do povo brasileiro: artistas da revolução (Record, 2000), entre outros livros .

ENGAJAMENTO

De onde vem a tradição de engajamento dos budistas?

Matthew Weiner*
Em Nova York


Os ocidentais tendem a pensar no budismo como uma religião passiva, focada na meditação silenciosa e no crescimento espiritual pessoal. A imagem de Buda sentado com um sorriso resume-a.

Então, apesar de o Ocidente estar familiarizado com conflitos e ativismo em outras religiões, a "revolução açafrão" em Mianmar e a "revolta em alta altitude" no Tibete surpreenderam muitos.

De fato, há uma tradição saudável de ativismo budista. Freqüentemente chamada de "budismo engajado", expressão cunhada pelo monge zen budista vietnamita Thich Nhant Hanh, ela estimula uma crítica budista das estruturas governamentais e econômicas, além de esforços para aliviar o sofrimento social.

No Sri Lanka, o movimento Sarvodaya atua em mais de 1.000 aldeias em programas para dar poder aos pobres. Maha Ghosanand, monge budista cambojano reverenciado, liderou milhares de pessoas em passeatas pacíficas pelos "campos de morte", buscando reconciliação com o Khmer Vermelho. O próprio Nhant Hanh pediu que o Norte e o Sul do Vietnã parassem o derramamento de sangue.

Na Tailândia, o "monge da floresta" Prachak "ordenou" as árvores da floresta, embrulhando-as com vestes de monges para salvá-las das madeireiras. O movimento Tzu-Chi do Taiwan tem milhares de voluntários que respondem a desastres naturais ou provocados pelo homem.

O reverendo Nagaki, da Igreja Budista de Nova York, faz uma missa anual pelo aniversário de Hiroshima. Depois de 11 de setembro, ele lembrou o uso dos campos de internação americanos na Segunda Guerra Mundial e pediu a todos os budistas que ajudassem os cidadãos muçulmanos. Nagaki gosta de mostrar uma imagem de Buda em pé.

Ele diz que o budismo envolve ter uma mente tranqüila, mas isso não quer dizer ficar apenas sentado.

Ativistas budistas citam as escrituras para argumentar que estão simplesmente seguindo o que Buda ensinou. Em uma delas, Buda confronta um assassino que está em vias de matar sua mãe; em outra, ele pára uma guerra entre duas tribos.

O terceiro exemplo é a idéia do Bodhisattwa: um ser que trabalha incansavelmente para salvar outros seres do sofrimento.

Uma fonte do engano ocidental em relação ao budismo é nosso fascínio com a meditação. Apesar de a meditação ser crítica ao budismo, como a prece é para o cristianismo, o judaísmo, e o islamismo, ela não exclui a ação, como a prece tampouco.

De fato, o foco do budismo na meditação enfatiza um estado da mente que pode levar a um tipo particular de ativismo -a meditação andando e a resistência não violenta- como demonstrado por Maha Ghosadanda no Camboja ou pelos monges em Mianmar.

Os enganos continuam com a expressão "monge budista". "Monge" é um termo cristão para ascetas religiosos que geralmente praticam sua fé em isolamento. A palavra vem do grego "monos", "sozinho".

No entanto, "bikkhu", o termo budista para monge, é traduzido literalmente como "mendigo".

Os "bikkhus" devem ensinar e guiar a comunidade laica e mendigar por seu alimento. Desde sua introdução na prática budista, o "bikkhus" tiveram um relacionamento profundamente recíproco com o mundo laico -inclusive o governo- como professores e modelos espirituais. Eles sempre foram ativos no mundo.

Outra noção que não se sustenta em uma análise da história é que todos os budistas ativos são pacifistas; de fato, há aqueles que argumentam que nunca houve uma guerra budista. Mas há também exemplos tristes na história, de participação budista na opressão do governo e violência.

Ainda assim, é pelo ativismo pacífico que os monges budistas são conhecidos e mais respeitados. Que eles tenham se oposto à injustiça em Mianmar e no Tibete não deve ser uma surpresa. Que eles não responderam a violência com violência deve ser elogiado.

*Matthew Weiner é diretor de programas do Centro Inter-religioso de Nova York.

Tradução: Deborah Weinberg

http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/herald/2008/04/02/ult2680u664.jhtm

REINADO ETERNO


Risco de 3º mandato de Lula é real, diz Leôncio Martins

Para cientista político, negativas não descartam hipótese: 'Lula já disse que é uma metamorfose ambulante'

Gisele Silva, do estadao.com.br

SÃO PAULO - O cientista político Leôncio Martins Rodrigues, estudioso de partidos políticos e questões sindicais, acredita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentará um terceiro mandato, apesar das reiteradas negativas do Planalto e do próprio Lula. O tema voltou a ser discutido após o vice-presidente, José Alencar, ter dito nesta terça-feira, 1º, em entrevista à Rádio Bandeirantes que está convencido de que "o povo brasileiro deseja que o Lula fique por mais tempo no poder".

Veja também:

TV ESTADÃO: 'Terceiro mandato é tentação autoritária', diz cientista político da USP
ESPECIAL: A partir de José Sarney, quanto cada presidente ficou no poder
FÓRUM: Você concorda com a declaração de José Alencar?
Ouça declaração de Alencar

Leôncio foi o primeiro a alertar para o risco de continuísmo no Planalto em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, em 2 de agosto do ano passado e, desde então, o assunto vai e volta na pauta de Brasília. "Certamente, há declarações do próprio Lula negando qualquer interesse em continuar habitando o Palácio do Planalto. Mas Lula já disse que é uma metamorfose ambulante, o que significa que pode dizer o quiser hoje para dizer outra coisa amanhã", afirmou Leôncio.

Leia abaixo a entrevista:

estadao.com.br - O sr. foi quem primeiro apontou em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo que a intenção de Lula de se manter no poder por mais um mandato, e o tema foi muito debatido à época. Por que esse assunto vai e volta? O risco é real?

Leôncio Martins - Eu acho que sim. O presidente continua em campanha, declaradamente para viabilizar um candidato petista para 2010. Mas as viagens servem mais para popularizar o próprio presidente. Há também freqüentes declarações de adeptos do presidente defendendo um terceiro mandato em 2010.

Certamente, há declarações do próprio Lula negando qualquer interesse em continuar habitando o Palácio do Planalto. Mas Lula já disse que é uma metamorfose ambulante, o que significa que pode dizer o quiser hoje para dizer outra coisa amanhã. Lembro-me que o presidente, quando ascendia como grande líder sindical, declarou diversas vezes que nunca seria candidato a nada porque não tinha jeito para política...

As razões apontadas acima vêm da observação de certos fatos e atos. São de natureza indutiva. Junto com Lula houve a ascensão política, e por conseqüência, social e econômica, de políticos da classe média assalariada. Os sindicatos foram o canal de ascensão. Hoje, somam milhares. Para onde irão os ex-sindicalistas se o PT perder o governo federal? Para suas antigas ocupações é que não. Uma parte, provavelmente, achará emprego em governos estaduais e em outros órgãos do Estado que permaneçam sob administração petista ou de aliados.

estadao.com.br - É o Lula que quer um terceiro mandato? De quem seria essa idéia?

LM - Ninguém de seu círculo agitaria essa alternativa sem a aquiescência do presidente. Mas Lula não deve explicitar, pelo menos desde já, qualquer ambição continuísta. Dever manter uma atitude ambígua, observando os vários desdobramentos do cenário político. O grande líder político deve saber despistar e esconder seus verdadeiros objetivos. Contudo, é difícil acreditar que, alguém com tão alto índice de apoio popular, entregue o poder a um adversário, ou "às elites".

estadao.com.br - Os altos índices de popularidade de Lula o legitimam para tentar um terceiro mandato?

LM - Do ponto de vista das regras do jogo, não. Mas a estratégia aqui seria deixar de lado o formalismo legal e buscar nas "massas" a fonte de legitimação. Seria uma jogada perigosa porque movimentos nessa direção inevitavelmente iriam acirrar a luta de classes.

estadao.com.br -O povo realmente deseja que Lula fique mais no poder, como disse o vice-presidente?

LM - Não conheço pesquisas sobre isso. É possível que o Planalto ou seus aliados as tenha e que seus resultados tenham estimulado as declarações do vice-presidente. Mas são conjecturas.

TRANSPARÊNCIA


Veto de Lula impede TCU de fiscalizar uso de imposto sindical pelas centrais

Oposição, que defendia controle do repasse de R$ 100 milhões por ano, diz que decisão do presidente foi imoral

Isabel Sobral e Tânia Monteiro, BRASÍLIA

As centrais sindicais vão receber um reforço de caixa anual de cerca de R$ 100 milhões da contribuição sindical obrigatória - correspondente a um dia de salário por ano do trabalhador, descontado na folha de pagamento -, mas estarão livres de prestar contas ao Tribunal de Contas da União (TCU). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou ontem a lei de reconhecimento das centrais dos trabalhadores, mas vetou o artigo aprovado pelo Congresso que obrigava a detalhar os gastos do também chamado imposto sindical ao TCU.

O governo alegou que a medida era inconstitucional, uma intervenção indevida do poder público na organização sindical. "Passei 30 anos lutando por liberdade e autonomia sindical e não poderia compactuar em tirar do Ministério do Trabalho e transferir para o TCU a responsabilidade de fiscalizar as centrais", justificou o presidente, na reunião de ontem do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).

Lula lembrou que a emenda da Câmara só instituía a fiscalização dos sindicatos de trabalhadores, mas no Senado a medida foi ampliada aos patronais. Mesmo assim, decidiu vetá-la. Agora, o controle dos recursos caberá unicamente aos trabalhadores e empresários, que podem exigir a prestação de contas em assembléias.

O Ministério do Trabalho vai apenas monitorar os dados e qualquer denúncia de irregularidade deverá ser feita ao Ministério Público do Trabalho. "Deus queira que tanto os empresários quanto os trabalhadores fiscalizem os seus sindicatos", completou Lula.

PARTILHA

Pela lei, as centrais receberão 10% do total arrecadado com o imposto sindical - metade do bolo que é hoje repassado ao Ministério do Trabalho. Os cofres das entidades devem ser engordados em R$ 100 milhões ao ano. O restante da contribuição é dividido com sindicatos (60%), federações (5%) e confederações (15%).

A oposição não aceita o repasse sem fiscalização. O líder do DEM na Câmara, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), qualificou o veto de "imoralidade" e acusou Lula de "subtrair o único instituto de fiscalização da sociedade": "O presidente mais uma vez mostra desprezo para com o Congresso."

O deputado Antonio Carlos Pannunzio (PSDB-SP), autor da emenda que foi derrubada, classificou o veto de "imoral". "Qualquer prefeitura que recebe recursos públicos federais tem de prestar contas ao TCU, por que os sindicalistas devem ficar imunes?" O líder do PSDB, José Aníbal (SP), que em debate na TV Estadão, anteontem, havia elogiado o novo instrumento de fiscalização, lamentou a decisão de Lula. "Por que essa resistência? O grave é que o presidente Lula compactua com isso."

POLÊMICA

O controle dos repasses é o último capítulo de uma polêmica iniciada em outubro. Na época, durante a votação do projeto que regulamenta as centrais, uma emenda do deputado Augusto Carvalho (PPS-DF) tentou acabar com a obrigatoriedade do imposto sindical. A medida foi aprovada na Câmara, mas acabou sendo revertida - não só pelo texto, que gerou divergências, mas sobretudo por pressão de sindicalistas.

Foi também sob forte pressão das centrais e com apoio do Palácio do Planalto que o plenário da Câmara aprovou em caráter final, no último dia 11, o projeto de lei que regularizou as entidades e manteve a cobrança obrigatória na folha dos trabalhadores. Uma ação do PPS no Supremo Tribunal Federal (STF), porém, ainda tenta derrubar a obrigatoriedade.


GOLPE REVOLUCIONÁRIO "PROGREÇISTA"?!?


Oposição chama 3º mandato de golpe; base diz que Lula não quer mudar Constituição

RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

A oposição reagiu com críticas ao comentário do vice-presidente, José Alencar, que sugeriu ser desejo dos brasileiros que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fique mais tempo no poder. Já os governistas tentaram minimizar a afirmação de Alencar, informando que não há disposição de Lula em defender um terceiro mandato.

"O presidente Lula é um estadista. Ele não vai quebrar a regra do jogo como outros fizeram no passado", afirmou o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS).
Segundo ele, o presidente já fechou questão sobre o tema, indicando que não pensa em terceiro mandato.

O líder do DEM na Câmara, Antonio Carlos Magalhães Netto (BA), atacou duramente a possibilidade levantada por Alencar. "Quem defende terceiro mandato, defende o golpe", disse o democrata, afirmando estar surpreso com a reação do vice-presidente da República a quem disse respeitar.

Nesta terça-feira, em entrevista à rádio Bandeirantes, Alencar defendeu hoje um mandato maior para Lula. "O Lula tem feito muito. Mas falta muito por fazer. Sou um democrata. Não aceitamos conversar outra coisa que não seja discutir a democracia. O Lula deseja fazer o seu sucessor", afirmou ele.

Em seguida, Alencar disse que: "Mas eu digo que se perguntar aos brasileiros, o que os brasileiros desejam é que o Lula fique mais tempo no poder. Porque está bem o Lula, vai bem o Lula. Raramente encontramos um cidadão como ele para dirigir o país".

Segundo o vice-presidente, nos Estados Unidos dos anos 30, o norte-americano Franklin Roosevelt marcou uma época política ao exercer um terceiro mandato. "Nos Estados Unidos tem quatro anos e mais quatro anos [de mandato]. Mas nos anos 30 o Roosevelt teve um terceiro mandato porque os EUA precisavam que ele continuasse", disse.

O secretário-geral do PT, deputado José Eduardo Cardozo (SP), disse ser contrário a qualquer alteração na Constituição para autorizar um terceiro mandato ao presidente da República. "Sou contra qualquer modificação casuística no texto constitucional", disse ele. "Isso não seria oportuno."

O líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP), chamou de "estapafúrdia" a proposta de Alencar. Para o tucano, foi surpreendente a sugestão apresentada por ele em entrevista à rádio.

OUTRO "TRAIDOR"?!?


DEPOIS DO MENSALÃO DAR EM NADA, SÓ PODERIA SER "PEGADINHA" MESMO.

MAIS UM DA TRUPE TRAIDORA DE LULA-LÁ...



Site divulga falsa notícia sobre prisão de Zeca do PT em "pegadinha" de 1º de abril

RODRIGO VARGAS

da Agência Folha, em Cuiabá

Alvo de 12 ações propostas pelo Ministério Público Estadual --por conta de um suposto esquema de desvio de verbas de publicidade em sua gestão (1999-2006)--, o ex-governador de Mato Grosso do Sul José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, foi vítima hoje de uma "pegadinha" de 1º de abril.

Um site de notícias local "informou" durante todo o dia, em sua manchete, a prisão do ex-governador pelo Gaeco (Grupo de Combate ao Crime Organizado). A reportagem fictícia trazia detalhes da falsa captura e da descoberta de "muito dinheiro e cópias de escrituras de suas inúmeras propriedades no Brasil e exterior".

"[Zeca] foi preso [...] a caminho de seu pesqueiro, de nome Periquito, em Aquidauana/ MS", dizia o texto. "Houve tumulto na hora da prisão, e outros envolvidos estão foragidos", continuava a falsa notícia.
O site que veiculou a reportagem inventada pertence ao jornalista Eduardo Carvalho. Em novembro do ano passado, em depoimento espontâneo ao MPE, Carvalho disse ter sido um dos beneficiários do que chamou de "dízimo" mensal que seria pago pelo então governo petista a determinados profissionais de comunicação.

O nome de Carvalho consta do livro-caixa apreendido pelo MPE na casa de Salete de Lucca, que foi secretária de Raufi Marques, o ex-secretário de Governo de Zeca.
A assessoria do ex-governador qualificou como "absurda" a publicação da falsa notícia. O advogado de Zeca, Newley Amarilla, ingressou na tarde de hoje com uma ação cautelar pedindo a retirada do conteúdo do ar. Segundo ele, será proposta também uma ação de indenização por danos morais. "Se foi mesmo uma brincadeira, foi de extremo mau-gosto", disse.

De acordo com Amarilla, a notícia levou muitos "amigos e correligionários" a telefonar para o ex-governador, em busca de informações. "Foram tantas ligações que ele teve de desligar o celular", afirmou.

O jornalista Eduardo Carvalho foi procurado nos quatro números de telefone que constam em seu site, mas nenhum deles estava em funcionamento. A reportagem deixou recado no celular dele, mas, até a conclusão desta edição, ele não havia ligado de volta.


terça-feira, 1 de abril de 2008

PORQUE NO TE CALLAS?


ALENCAR, PORQUE NO TE CALLAS?



Povo deseja Lula 'por mais tempo no poder', diz Alencar

Em entrevista a radio, vice-presidente qualifica Lula de 'homem simples' e elogia as políticas econômica e social

Rui Nogueira, da Agência Estado

BRASÍLIA - O vice-presidente José Alencar disse nesta terça-feira,1, em entrevista à Rádio Bandeirantes, estar convencido de que "o povo brasileiro deseja que o Lula fique por mais tempo no poder", porque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "tem feito muito", mas ainda "falta muito para fazer". Na entrevista, Alencar fez elogios a Lula, sempre na linha de que nunca antes neste País um governante cuidou do social, da economia e da imagem do Brasil no exterior.

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Sem que os entrevistadores da Rádio Bandeirantes pedissem a justificativa para a permanência de Lula no poder, o vice perguntou e respondeu. "Por quê? Porque o Lula está bem, o Lula vai bem, raramente nós encontramos um cidadão como ele para dirigir as coisas do Brasil, ainda que seja um homem simples".

José Alencar, que é o maior industrial brasileiro do setor têxtil, defendeu que o governo proteja o setor manufatureiro do País e trabalhe para gerar mais empregos. "Pegamos (o desemprego) em 12%, e hoje está em 8%, 9%", disse o vice.

Depois dos elogios à gestão Lula, Alencar emendou: "Lula tem feito muito, muito, mas falta muito para fazer. Eu digo para vocês, eu sou um democrata, não aceitamos conversar sobre outra coisa que não seja democracia. O Lula deseja fazer o seu sucessor, mas eu digo para vocês que, se perguntar para os brasileiros o que os brasileiros desejam, é que o Lula fique por mais tempo no poder".

VIVA LA REVOLUCIÓN!


BOM MESMO É SER REVOLUCIONÁRIO, MORAR EM CUBA, SOB O REGIME AUTORITÁRIO DO PARTIDO COMUNISTA DE FIDEL CASTRO.

AH, SIM, AGORA O PC CUBANO É BONZINHO. COMO EU PODERIA NÃO LEMBRAR DISSO!



Cubanos fazem fila para comprar produtos antes proibidos

Eletrodomésticos foram colocados à venda no primeiro dia das novas medidas que regulam o consumo

REUTERS

HAVANA - Cuba começou na terça-feira a venda sem restrições de equipamentos eletrodomésticos, medida que entusiasmou os cubanos, que fizeram fila nas lojas. Mesmo assim, a espera pelos produtos vai continuar grande, por causa dos baixos salários.

As lojas foram autorizadas a vender dezenas de eletroeletrônicos outrora proibidos, como fornos microondas, televisores de tela plana e até computadores.

"Isto deveria ter sido feito há muito tempo. Eles nunca deveriam ter sido proibidos", disse Felipe, engenheiro de 53 anos, que esperava impaciente na fila para comprar seu primeiro aparelho de DVD.

"Agora nós, cubanos, temos outras opções e assim se resolve um pouco a alternativa do transporte", disse o animado Raydel Leyva, 42, depois de investir suas economias numa moto de US$ 858, em Havana. "Acredito que todas essas medidas vieram para melhorar a vida do povo e nos fazer sentir melhor vivendo no nosso país", disse Leyva, que não quis revelar por quanto tempo juntou dinheiro para comprar a moto.

Com uma renda média de US$ 17 por mês, os cubanos não podem comprar muitos dos novos itens à venda, mas mesmo aqueles que não têm condições se alegraram com a mudança.

"Os preços são astronômicos. Mas pelo menos eu tenho essa opção, e posso economizar para comprar o que quero. As pessoas vão trabalhar mais para comprar esses artigos", disse Gelis, instrutora de tênis autônoma.

Os produtos mais vendidos eram os de menores preços, como as panelas de pressão, cujo valor ia de US$ 17 a US$ 54, e os aparelhos de DVD da holandesa Philips e da japonesa Panasonic, que custavam entre US$118 e US$ 162 dólares - mais caros do que em outros países, mas bem mais baratos do que no agitado mercado negro de Cuba.

Já os aguardados computadores e laptops da Dell e teclados e mouses da Microsoft foram retirados das lojas antes da venda começar, até que sejam fixados os preços. Ainda não está claro quando começa a sua venda.

Até agora, esses aparelhos só podiam ser adquiridos por empresas estatais. A maioria dos artigos vem da China.

Antes de adoecer, Fidel Castro iniciou um programa de financiamento a longo prazo de televisores, geladeiras e panelas elétricas chinesas. Raúl Castro sucedeu o irmão no dia 24 de fevereiro, prometendo acabar com as "proibições excessivas" no cotidiano de Cuba. Logo permitiu, além dos eletrodomésticos, o acesso a celulares e a hotéis antes reservados apenas a estrangeiros.

POR QUE LULA NÃO É TRANSPARENTE COM O DINHEIRO DO POVO?


LULA E O PT NÃO ERAM OS HERÓIS DA ÉTICA E DA HONESTIDADE NA POÍTICA?

ENTÃO POR QUE NÃO REVELA EM QUE E QUANTO GASTOU DO DINHEIRO SUADO DO BRASIEIRO?

MAS FOI A "FORÇA DO POVO" QUER O REELEGEU, MESMO DEPOIS DO MENSALÃO.

O BRASIL MERECE.

AH, SIM, IA ME ESQUECENDO QUE A ECONOMIA "VAI BEM", MESMO COLHENDO OS RESULTADOS DA "HERANÇA MALDITA" DE FHC.



CPI rejeita requerimento sobre dados sigilosos de cartões; oposição quer nova comissão

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

A CPI mista (com deputados e senadores) dos Cartões Corporativos rejeitou nesta terça-feira, por 11 votos a sete, requerimento apresentado pela oposição para que a Casa Civil encaminhasse informações detalhadas sobre o uso dos cartões por integrantes do governo federal, inclusive as mantidas sob sigilo pelo Palácio do Planalto. Com a derrubada do requerimento, o DEM ameaça instalar uma nova CPI dos Cartões, apenas no Senado, para investigar irregularidades nos gastos do governo.

"Aqui, o governo nada de braçada. A gente já viu que aqui vamos ser tratorados por deputados que vêm para cá fazer palhaçada, tripudiar na cabeça de companheiros. Só nos restará um caminho que é aprovar a CPI imediatamente no Senado, onde o governo não nada de braçada, sem a presença de alguns macacos de auditório", ameaçou o deputado Vic Pires (DEM-PA).
O PSDB, no entanto, foi mais cauteloso em relação à instalação da CPI dos Cartões no Senado. O vice-líder do partido, senador Álvaro Dias (PSDB-PR), disse que o equilíbrio de forças entre governo e oposição não será muito diferente se a nova comissão for instalada.

"A correlação de forças no Senado não é diferente em uma CPI. O que prevalece é a indicação dos partidos. No plenário há, às vezes, um certo equilíbrio de forças porque não há dissidências na base do governo. Na CPI, não há hipótese de dissidência. Temos o dever de nos apresentarmos à sociedade com absoluta franqueza", afirmou.

Na defesa do governo, o deputado Carlos Willian (PTC-MG) rebateu as ameaças da oposição. "Nós não aceitamos mais ameaças. No início, ameaça de que iriam abandonar essa CPI, não abandonaram, estão aqui trabalhando. Nós não nos amarelamos com isso, sabemos da nossa responsabilidade, temos compromisso com a população e os eleitores. Não vamos deixar tripudiar em cima do governo e da comissão."

O deputado Manato (PDT-ES) chegou a trocar farpas com Dias depois que o tucano disse que os governistas foram "escolhidos a dedo" na comissão para blindar o Palácio do Planalto nas investigações.

Manato desafiou Dias a renunciar ao seu mandato se for comprovado que ele foi "escolhido a dedo" para compor a CPI. O tucano, por sua vez, disse que seu objetivo não foi ofender o colega.
"Eu digo que [os governistas] foram escolhidos a dedo porque obedecem as orientações do governo. Creio que isso não diminui ninguém. Não foi uma expressão pejorativa. De forma alguma eu renunciaria ao meu mandato, eu tenho deveres com quem me elegeu", enfatizou Dias.

Requerimento

No requerimento rejeitado pela CPI, a oposição solicitou o envio de uma série de informações à comissão pela Casa Civil, como a quantidade de cartões corporativos expedidos pelo governo desde 2002; o nome de seus respectivos portadores; a unidade gestora de cada um dos portadores; o limite disponibilizado por mês para os cartões, além do detalhamento de gastos mensais de cada cartão e as cópias das notas fiscais de gastos realizados.

"Esse requerimento, nada mais é, do que pedido de informações para a Casa Civil", argumentou Vic Pires.

A comissão aprovou uma série de requerimentos, esta manhã, que foram escolhidos por serem consensuais entre governo e oposição. A maioria dos requerimentos aprovados prevê o envio de informações não-sigilosas à CPI por órgãos do governo que controlam gastos com cartões corporativos.

Na votação do primeiro requerimento polêmico, rejeitado pelos governistas, os parlamentares da base aliada deixaram claro que não vão permitir a aprovação de pedidos de quebra de sigilo dos gastos do governo com cartões corporativos.

Entre os requerimentos aprovados está o de autoria da senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), que prevê o envio de todos os documentos e informações à comissão que se encontram na Administradora de Cartões de Crédito Ourocard (Banco do Brasil) relativos às movimentações financeiras não-sigilosas realizadas por titulares dos cartões corporativos.

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Crise do Tibete evidencia os interesses cruciais da China

Frédéric Bobin

Muito além do legado de uma concepção imperial da China, a obsessão contemporânea de Pequim em relação à questão tibetana pode ser decodificada à luz dos interesses cruciais que estão em jogo, os quais se dividem em três categorias fundamentais:

- Interesses estratégicos: como parte da região do Himalaia, o Tibete ocupa uma posição vital, pois ele se projeta acima da Ásia do Sul, em particular da Índia, uma nação emergente potencialmente rival.

- Econômicos - o Tibete tem um subsolo riquíssimo em recursos minerais e hidráulicos, que são preciosos para o crescimento da China.

- Políticos - aos olhos de Pequim, a perda do Tibete criaria um precedente que traria riscos de precipitar a China, um império multi-étnico, num redemoinho de forças centrífugas.

Fortificação natural estratégica
Na sua região sul, o Tibete chinês compartilha cerca de 3.000 km de fronteiras com Mianmar, a Índia, o Butão, o Nepal e o Paquistão. Destes cinco Estados, a Índia é aquele com o qual a China cultiva a relação mais complicada. Para Pequim, o fato de controlar o Tibete equivale a dispor de uma fortificação natural estratégica, própria para manter a Índia sob controle e evitar que ela se torne uma ameaça.

No cerne da tensão sino-indiana, destaca-se o traçado da fronteira herdado da era colonial britânica: Nova Déli o ratificou oficialmente, mas Pequim o recusa. A este respeito, os dois países já haviam se enfrentado numa guerra, em 1962. Pequim saíra vitorioso do conflito e havia imposto o seu domínio total sobre o disputado território do Aksai Chin, situado ao extremo oeste da fronteira.

Além deste contencioso territorial, um outro litígio desempenha um papel de "provocador": o Estado indiano do Arunachal Pradesh (extremo leste), reivindicado por Pequim.

Existe também um terceiro foco de tensões que, por sua vez, foi deixado na surdina: o Sikkim, anexado em 1975 por Nova Déli e em relação ao qual Pequim decidiu fazer vistas grossas. Esta questão fronteiriça até hoje não foi solucionada, mas ela foi sendo deixada em segundo plano. Ela está sendo ofuscada atualmente por uma disputa por interesses estratégicos mais globais, vinculados à projeção regional da China.

O Tibete situa-se numa encruzilhada entre a Ásia do Sul e a Ásia Central, duas regiões onde os interesses de Pequim são mais prementes. Na Ásia do Sul, a China está sendo obrigada a lidar com a aliança privilegiada firmada pela Índia com os Estados Unidos e a se prevenir dos seus efeitos. Ao mesmo tempo, ela cultiva excelentes relações com o Paquistão, um fiel aliado que lhe abre uma rota até o oceano Índico. Além disso, na Ásia Central, a China precisa garantir as rotas energéticas através da qual são encaminhados o petróleo e o gás natural, provenientes - entre outros - do mar Cáspio. Neste contexto, o Tibete constitui uma peça essencial desta construção geopolítica regional.

Reservatório de recursos naturais
O Tibete (Xizang) quer dizer em mandarim "Casa dos tesouros do Oeste". Dá para entender por quê. Este país possui a segunda maior biomassa florestal da China, mas este recurso está se esgotando, uma vez que o processo de desmatamento adquiriu proporções catastróficas.

Um outro potencial vem estimulando as imaginações em Pequim e em Lhasa: os recursos minerais. As jazidas de cromo e de cobre da Região Autônoma do Tibete são as mais importantes que a China possui. Além disso, as suas reservas de bórax, de urânio e de lítio (50%) são as mais ricas no mundo. A imprensa chinesa vem celebrando ritualmente e com ênfase descobertas sucessivas de ferro, de ouro, de prata, de chumbo, de zinco, de cobalto... Em 2004, um artigo do "Cotidiano do Povo" chegou a ponto da avaliar em US$ 78,4 bilhões (equivalente hoje a R$ 136 bilhões) o potencial do Tibete em recursos minerais. A sua exploração já foi iniciada, mas ela enfrenta as condições adversas do terreno.

Um terceiro recurso oferece uma disponibilidade muito maior: a água. O Tibete histórico é o "reservatório de água da Ásia". Nele, dez dos maiores rios da região têm a sua fonte: o Yangzi (rio Azul), o Huang He (rio Amarelo), o Mekong, o Indus, o Brahmaputra, o Salween, o Irrawaddy, o Sutlej, além de dois afluentes do Ganges. Com isso, o Tibete possui, segundo a imprensa chinesa, 30% dos recursos hidráulicos da China. É uma sorte e tanto para Pequim, no momento em que a crise da água ameaça o norte do país.

Símbolo da coesão do império
A China enxerga a si mesma como um Estado multinacional. Oficialmente, 56 "nacionalidades" (minzu) foram recenseadas. Os han, que representam 92% da população, são fortemente majoritários. Mas os 8% de minorias ocupam um espaço de enorme importância no imaginário nacional, nem que seja através do predomínio de um folclore água-com-açúcar muito diversificado.

Acima de tudo, o espaço territorial que essas nacionalidades ocupam é gigantesco. Por si só, o Tibete histórico se estende por uma região que constitui um quarto do território chinês. É por conta disso que Pequim se mostra tão obcecado pelo risco de um contágio separatista que, ao disseminar-se por outras etnias - principalmente a etnia uigur do Xinjiang muçulmano, uma região fronteiriça da Ásia Central -, desagregaria o império. O nacionalismo da população chinesa não permitiria que isso aconteça.

UMA POPULAÇÃO ESPALHADA DENTRO E FAORA DA CHINA

Os tibetanos do interior: Segundo os dados do censo chinês de 2000, os tibetanos constituiriam uma população de 5,4 milhões na República Popular da China. A Região Autônoma do Tibete abrigaria 2,4 milhões de habitantes, ou seja, 92% da população da entidade administrativa. Mas estas estatísticas oficiais minimizam a imigração dos chineses han, que hoje corresponderiam, segundo fontes independentes, a cerca do terço da população urbana. Além do mais, 3 milhões de tibetanos vivem nas províncias chinesas vizinhas (Sichuan, Qinghai, Yunnan, Gansu).

Os tibetanos do exterior: O levante reprimido de março de 1959, em conseqüência do qual o dalai lama opta por se exilar em Dharamsala (Índia), desencadeia um intenso fluxo migratório de tibetanos, que se refugiam no exterior. Segundo os números divulgados pelo governo tibetano no exílio, que datam de 1998, esta diáspora contaria 111.170 pessoas, das quais a esmagadora maioria (85.000) está instalada em Dharamsala. Seguem-se entre as principais terras que recebem os migrantes tibetanos o Nepal (14.000), o Butão (1.600), a Suíça (1.540), os Estados Unidos e o Canadá (7.000). Todos os anos, muitos tibetanos continuam fugindo, enfrentando muitos riscos e perigos, do Tibete chinês.

Tradução: Jean-Yves de Neufville

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OS GRILHÕES DO OURO


Escravos do ouro de Moçambique

Milhares de caçadores de fortunas estão escavando ouro das montanhas de Moçambique. Multidões deles entraram pela fronteira do país vizinho amargamente pobre de Zimbábue. Para a maioria, contudo, o sonho de um tesouro fabuloso termina em trabalho incessante, doença e morte

Thilo Thielke
Em Manica, Moçambique


A noite traz temperaturas mais frescas, bem-vindas no sopé das montanhas de Chimanimani, no oeste de Moçambique. Entretanto, traz também o mosquito Anopheles, transmissor da malária, dos brejos próximos.

Os mosquitos vêm em nuvens grossas. Os jovens rapazes mineradores usam o fogo em uma tentativa vã de se protegerem contra os insetos mortíferos. Quando sua lenha está úmida demais, eles queimam plástico e logo as fogueiras ardem pelos campos, enchendo-os de fumaça irritante.

As montanhas verdes e suaves que cercam Manica, capital da província, foram transformadas em campos esquálidos. Pequenos assentamentos surgiram ao longo do rio Revue, coleções de barracos feitos de lonas, metal corrugado e bambu. Muitas pessoas, entretanto, simplesmente dormem sobre a terra, enroladas em trapos e cobertas por cobertores furados por traças. Sua dieta consiste de raízes, grama e insetos.

Durante o dia, eles engatinham pela terra argilosa, cavando com as mãos. Alguns têm pás e picaretas. Muitos começam a trabalhar às 4h da manhã. Alguns simplesmente perdem a cabeça aqui, outros perdem suas vidas.

Última esperança
Milhares de pessoas desesperadas vêm à região em busca de fortuna, e seus números incham a cada dia. Elas cruzam as montanhas do vizinho Zimbábue. Elas ouvem dizer que há um tesouro escondido no solo lamacento: ouro. A palavra "Chimanimani" tornou-se sinônimo de última esperança de ficar rico.

Alec Pot limpa o suor de sua testa. Ele está com malária, tem pouco mais do que pele e osso e treme de febre. Ele usou o resto do seu dinheiro para comprar remédios. Agora, ele se encolhe debaixo de uma mangueira, embrulhado em seu cobertor. Pot veio do Zimbábue há um mês com três amigos. Em casa, eles tinham ouvido falar que havia ouro -muito ouro- nas montanhas moçambicanas. Estranhos contaram histórias fantásticas sobre pepitas do tamanho de punhos. Os homens também tinham ouvido falar que os moçambicanos eram hospitaleiros.

Há poucas semanas, Moçambique até suspendeu a exigência de visto para os zimbabuanos. O governo alegou que esta era a forma de o país agradecer ao vizinho Zimbábue, que abrigou os refugiados moçambicanos nos anos 80. A razão mais provável, entretanto, é que Moçambique ainda está se recuperando das conseqüências de uma longa guerra civil que terminou em 1992 e não tinha outra forma de lidar com a entrada de zimbabuanos.

Zimbábue está desmoronando em velocidade recorde. O desemprego está acima de 80%, e a inflação está perto de 70.000%. Mais de 3 milhões de zimbabuanos fugiram do país; 2 milhões foram se refugiar na África do Sul. A maior parte dos fazendeiros brancos foi expulsa de Zimbábue, e suas plantações agora estão apodrecendo nos campos. Muitos estão passando fome. O Estado falido está isolado internacionalmente.

O governante do Zimbábue não parece se importar com esse declínio. O ditador obstinado, Robert Mugabe, recorre à força brutal para se manter no poder e suprimir a oposição. Pius Ncube, ex-arcebispo de Bulawayo e proeminente crítico do regime, recentemente apelou aos britânicos para que interviessem e derrubassem o tirano. Enquanto Mugabe estiver no poder, o êxodo de zimbabuanos continuará.

Alec Pot, 34, é um desses que não via mais futuro em Zimbábue, ex-Rodésia, que foi celeiro do Sul da África. Ele trabalhou durante anos na construção civil em sua cidade natal de Murehwa. Contudo, ninguém mais está construindo em Zimbábue. Pot tem mulher e dois filhos pequenos. Desde que seu pai morreu de Aids, há quatro anos, ele teve que cuidar da mãe e de sete irmãos. Desempregado, tinha que sustentar doze outras pessoas.

"Trabalho escravo"
Em algum ponto, quando ele entendeu que não havia outra forma de sair de sua situação, lembrou-se das histórias que tinha ouvido, de um eldorado do outro lado da fronteira, em Moçambique. Ele empacotou alguns pertences -uma pá enferrujada, um cobertor velho e um balde- e partiu para as montanhas.

Encontrar os campos de ouro foi fácil. Mais de 20.000 caçadores de fortunas já estão escavando a terra vermelha de Moçambique. Três quartos deles vêm do outro lado da fronteira.

Entretanto, em vez das riquezas esperadas, Pot encontrou uma situação que ele mesmo descreve como "trabalho escravo". Com seus três amigos, trabalha sem parar quase 24 horas por dia, cavando com as mãos nuas, pás enferrujadas e picaretas primitivas.

Haviam dito que o ouro estava a oito metros de profundidade, mas até agora isso não produziu nem pó de ouro.

Precisamos cavar mais fundo, os homens dizem a si mesmos, enquanto continuam se enfiando na terra. Voltar para casa seria o mesmo que capitular. Além disso, dizem eles, tudo o que precisam é de um pouco de sorte e estarão com a vida resolvida! Eles planejam voltar para casa para suas famílias no minuto em que fizerem sua primeira descoberta, ou assim dizem.

Há uma longa tradição de mineração em Moçambique. A indústria da mineração de ouro vem desde os dias que os colonizadores portugueses chegaram. A vizinha África do Sul ficou rica com o metal precioso. Grandes empresas internacionais de mineração exploraram os depósitos de ouro de Moçambique pelo tempo que os portugueses tiveram no poder. No entanto, quando saíram do país em 1975, deixaram um caos.

Inicialmente, Moçambique tornou-se socialista e depois caiu em uma guerra civil que se arrastou por 16 anos -com um estímulo da África do Sul do tempo do apartheid. A produção de ouro praticamente parou durante esse período. Quando a paz retornou ao país, também voltaram os caçadores de fortunas. Agora que o preço do ouro está nas alturas, um frenesi ocupou a região em torno do Rio Revue.

Apesar deste caos aparente, há um controle cuidadoso nas montanhas. A terra pertence aos moçambicanos que, até recentemente, plantavam bananas, milho e manga e que assinaram contratos de aluguel de longo prazo com o governo. Desde que a corrida pelo ouro começou, os proprietários da terra vêm subdividindo suas terras em lotes. Quem aluga o lote pode cavar o quanto quiser, mas tem que entregar uma parte do ouro encontrado para os proprietários da terra.

Lei da selva
A desordem e a violência prevalecem ao longo do rio Revue. Quem cria confusão é expulso. Algumas vezes policiais ou soldados revistam os campos, batem nos habitantes e exigem sua parte.

O parceiro de Alec Pot Wisdon Muchehuwa está dobrado de dor. Recentemente foi apanhado durante uma dessas batidas. Seus agressores gritaram que ele trouxe má sorte e que tinha que voltar para o Zimbábue, senão iam matá-lo.

A caça ao ouro é, evidentemente, ilegal. Em teoria, o metal precioso pertence ao governo moçambicano. Aparentemente, a polícia e os militares são incapazes de controlar a corrida pelo ouro. "Não podemos parar a mineração à força", diz resignadamente o governador da província de Manica, Raimundo Diomba. "Afinal, essas pessoas não têm outra fonte de renda e têm que alimentar suas famílias."

Para complicar as coisas, os membros da tribo Shona vivem dos dois lados da fronteira. Eles falam a mesma língua e compartilham os mesmos laços familiares. Só o que os separa é uma fronteira riscada arbitrariamente por poderes coloniais.

Um comércio ativo desenvolveu-se em torno dos campos de mineração. Os mineradores vendem tudo o que encontram para intermediários moçambicanos por US$ 20 (em torno de R$ 40) por grama. Os intermediários, por sua vez, conseguem US$ 27 (cerca de R$ 54) em Manica, a apenas 15 quilômetros de distância. Os compradores em Manica são libaneses, israelenses e europeus -indivíduos taciturnos que vagueiam pelos bares de hotéis mal iluminados, onde fazem seus negócios.

Eles exportam o ouro ainda sujo para outros países, uma prática que também é ilegal. Eventualmente, o metal acaba nos maiores mercados em Londres, Nova York e Zurique: brilhoso, refinado e caro.

"Os negócios estão indo muito bem porque o preço do ouro está tão alto", diz Armando Mouzinho, intermediário. Mouzinho tem maços de notas presos à cintura.

Quando os preços do ouro sobem em Londres, os negócios prosperam no sopé das montanhas de Chimanimani.

Prostitutas e gim
Sylvia Madzikanda, comerciante que veio de Zimbábue há três semanas, também se beneficia do alto preço do ouro. Ela faz o vai e vem entre Manica e os campos de mineração vendendo pão e milho. Ela também tem um comércio ativo de um destilado vagabundo chamado "Buffalo Dry Gin" e de cerveja moçambicana.

Prostitutas são trazidas de Zimbábue em caminhões às quintas-feiras, porque é proibido escavar na sexta-feira. Sylvia Madzikanda também ganha bem nesses dias.

É um mundo fechado em si, com suas próprias leis, ignorado ao máximo pelo Estado. As autoridades moçambicanas, entretanto, têm cada vez mais reservas em relação à mineração ilegal. A terra escavada assoreia os rios, e a água potável já está se tornando escassa na região.

O cenário nu e esburacado que se desenvolveu nas montanhas de Chimanimani também causa problemas. Os mineradores algumas vezes cavam buracos de 10 a 20 m de profundidade, conectados por um elaborado sistema de túneis. Quando uma mina já foi explorada, é simplesmente abandonada. Isso leva a deslizamentos recorrentes durante a temporada de chuvas, algumas vezes enterrando os mineradores. Outros congelam até a morte nas montanhas, onde as temperaturas podem cair até abaixo de zero durante a noite.

Além dessas dificuldades, a violência ataca quase toda noite nos campos dos desesperados. Um campo ficou tão conhecido pela regularidade de suas brigas sangrentas que adquiriu o apelido sinistro de "Burundi". Ninguém sabe quantas vidas essa loucura já tomou, mas o total atinge as dezenas.

Algumas migalhas de pó de ouro
Foi mais um dia de azar para Alec Pot e seus três amigos. Eles olham com inveja para a escavação vizinha, onde alguns homens cobertos de lama regozijam-se com um punhado de pó de ouro. Provavelmente chega a 1 g, que eles podem trocar por dinheiro quando o intermediário parecer no dia seguinte.

Eles terão que dividir seus US$ 20 em cinco partes: cada um dos quatro mineradores ganha uma parte e o proprietário moçambicano, que ocasionalmente passa para se assegurar que ninguém vá embora sem pagar sua parte primeiro.

No final os homens terão ganhado US$ 4 cada -um bom dia para os mineradores, que agora poderão comprar algumas garrafas de gim e uma prostituta no final de semana.

Enquanto isso, Alec Pot continua passando fome. Ele não come carne há meses. Seu corpo emaciado é suscetível a doenças. Há um rumor de surto de cólera alguns quilômetros a jusante. Pot não sabe o que acontecerá com ele.

Por enquanto, Pot não tem dinheiro nem voltar para a capital de Zimbábue, Harare. Além disso, como poderia explicar seu fracasso a sua família? "Eles esperam que eu volte com alguma coisa", diz Pot, olhando por cima das montanhas que formam a fronteira com Zimbábue. "Eles estão com fome."

Tradução: Deborah Weinberg

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DEMOCRACIA NA ÁSIA


Nações asiáticas cultivam um novo sentido de democracia


Paul Wiseman


http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/usatoday/2008/03/14/ult582u825.jhtm


Em Hong KongA democracia talvez esteja voltando à Ásia, depois dos eleitores conferirem derrotas impressionantes a governos autoritários na Malásia e no Paquistão.


"As coisas estão definitivamente mais esperançosas no momento", disse Larry Diamond, que estuda democracias jovens na Universidade de Stanford.


Até recentemente, Diamond e outros observadores preocupavam-se que a transição para a democracia na Ásia, de duas décadas, estava andando para trás. As preocupações foram alimentadas por um golpe militar na Tailândia, o estado de emergência nas Filipinas e processos de impeachment liderados por partidos da oposição no Taiwan e na Coréia do Sul.

Em particular, os eventos recentes no Paquistão ressaltaram como a ascensão e queda das instituições democráticas podem afetar os interesses de Washington na região.


A decisão do presidente Pervez Musharraf em outubro último de censurar a mídia do Paquistão e retirar juízes independentes do judiciário causou uma crise política que desestabilizou um importante aliado dos EUA na guerra ao terror. A inquietação diminuiu um pouco desde a votação no último mês para o Parlamento, que elegeu políticos que se opõem a Musharraf, mas talvez tenham maior suporte ao reprimirem militantes islâmicos.


"É decididamente do interesse dos EUA ver a democracia avançar e amadurecer na região", disse G. John Ikenberry, especialista de relações internacionais da Universidade de Princeton. "As democracias têm formas mais elaboradas e sólidas de cooperar com os EUA". Ikenberry admite que os governos eleitos nem sempre farão o que os EUA querem, "Mas, no longo prazo, (a democracia) ajuda a criar um mundo em que os EUA podem prosperar.


"Diamond diz: "O pêndulo talvez esteja virando em uma direção mais positiva" em outros países:


Malásia. Os eleitores, cansados da corrupção, da alta dos alimentos e a discriminação de cidadãos de origem chinesa e indiana, deram uma derrota surpreendente no sábado à coalizão da Frente Nacional, que governou a ex-colônia britânica com pulso de ferro por décadas. A coalizão perdeu a maioria de dois terços do Parlamento, que a permitira reescrever a Constituição como quisesse desde 1969.


"Isso permite que nos distanciemos de um regime de um partido único para uma democracia saudável e operante", diz Lim Guan Eng, do Partido de Ação Democrática, de oposição. "Não esperávamos tamanho desejo por mudança.


"Antes da votação, o grupo Human Rights Watch advertiu que seria impossível uma eleição justa porque a Frente Nacional controlava a mídia, proibia comícios de oposição e restringia a liberdade de expressão. Essa desigualdade na disputa não importou no sábado: "Eles não conseguiram fraudar o resultado porque a maioria foi grande demais", diz Lim. "Mesmo o pessoal deles votou em nós, tamanha a profundidade do desgosto público."


Paquistão. O partido governante pró-Musharraf foi derrubado nas eleições parlamentares do mês passado. O resultado foi uma rejeição do presidente aliado dos EUA, ex-comandante do exército que tomou o poder em um golpe em 1999, e um sinal que os paquistaneses querem ser governados por políticos eleitos.


Generais governaram o Paquistão por mais da metade de seus 61 anos de existência. Roedad Khan, servidor público aposentado e autor de um livro lamentando o lento desenvolvimento político do Paquistão, disse que as eleições do dia 18 de fevereiro "entraram para a história". E, acrescentou: "Deu orgulho de ser paquistanês. Gosto de pensar que nosso longo pesadelo nacional acabou."


Tailândia. As eleições de dezembro puseram fim a 14 meses de governo militar. Os eleitores devolveram o poder a defensores do primeiro-ministro popular Thaksin Shinawatra, que foi derrubado pelos militares. Thaksin voltou do exílio, mas diz que não está mais interessado em política.


Coréia do Sul. O partido governante foi derrotado nas eleições em dezembro, e os taiwaneses devem fazer o mesmo no dia 22 de março, no que Diamond, de Stanford, vê como rotação saudável de poder, "revigorante para as duas democracias".


Nepal. O país, há muito governado por um rei e dividido por uma década de guerra civil, vota no mês que vem enquanto se prepara para abolir a monarquia e tornar-se uma república.


Nem todos os países da Ásia estão se voltando para a renovação democrática. A Freedom House, que classifica a liberdade política em torno do mundo, retirou as Filipinas de sua lista de "democracias eleitorais" no ano passado - um retrocesso para o país que iniciou a tendência asiática para a democracia em 1986, derrubando o ditador Ferdinand Marcos.


Em Bangladesh, o exército suspendeu o Parlamento no ano passado e instalou um governo provisório, mas Diamond acredita que o país sofrerá intensa pressão para que restaure a democracia.


Enquanto isso, os militares de Mianmar deram de ombros para a condenação internacional pela repressão sangrenta e contra os monges budistas. Diamond diz: "Mianmar não poderia ser mais deprimente".


Tradução: Deborah Weinberg

Visite o site do USA Today

AH, COMO O BRASILEIRO É ESPERTO!


DEPOIS DE TUDO(!) A REPROVAÇÃO CAI...

Reprovação ao Congresso cai, mas ainda atinge 39%

da Folha Online

Pesquisa do Datafolha revela que a avaliação que o brasileiro faz do Congresso Nacional melhorou, segundo reportagem publicada nesta terça-feira na Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).

O percentual de pessoas que acham o trabalho de senadores e deputados ruim ou péssimo caiu de 45%, na pesquisa de novembro de 2007, para 39%, no levantamento entre os dias 25 e 27 de março. A avaliação regular subiu de 37% para 40%, enquanto ótimo ou bom variou de 13% para 14%.

O novo levantamento é o primeiro a ser feito após a crise envolvendo o ex-presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL). O resultado mostra que a aprovação do Congresso sobe entre os entrevistados que aprovam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva --para os que consideram Lula ótimo ou bom, 20% avaliam os parlamentares da mesma forma, contra 35% de ruim ou péssimo.

A pesquisa do Datafolha na qual o Congresso Nacional foi avaliado ouviu 4.044 pessoas entre os dias 25 e 27 de março, em 159 municípios de 25 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, para um nível de confiança de 95%.

"NÃO HÁ NADA DE NOVO DEBAIXO DO SOL" DO PAÍS DOS ESPERTOS


ENGANA-SE QUEM PENSA QUE O CRIME OGANIZADO AINDA NÃO ENTROU NA POLÍTICA.


PCC quer se infiltrar na política e financiar campanhas eleitorais

Escutas mostram bandidos discutindo como se aproximar dos partidos, por meio de doações a tesoureiros

Marcelo Godoy

A cúpula do crime organizado quer ter representação política. Depois de entrar no tráfico internacional de drogas, o Primeiro Comando da Capital (PCC) quer se aproximar dos partidos políticos e financiar campanhas eleitorais. Seus líderes consideram que a "família" pode garantir muitos votos aos seus escolhidos e tem capacidade de mobilização em dez Estados. "Muitos partidos políticos não têm essa força", afirmou Daniel Vinícius Canônico, o Cego, porta-voz do líder máximo da organização, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.

Em um diálogo interceptado pela inteligência do governo estadual, Canônico e o segundo homem na hierarquia do PCC, Julio Cesar Guedes de Moraes, o Carambola, conversam com o advogado Sérgio Wesley da Cunha. Eles começam tratando da manifestação patrocinada pela facção em frente do Congresso Nacional, ocorrida em 28 de novembro. "Doutor, sabe qual a intenção dessa passeata?", pergunta Canônico. É o porta-voz de Marcola que responde: "Era pra mostrar para aqueles deputados federais que nós temos força política.

"A organização criminosa fretou ônibus em dez Estados para levar manifestantes até Brasília. O objetivo declarado do movimento era fazer um protesto contra o descumprimento da Lei de Execuções Penais.

No meio da conversa, Wesley defende que o PCC deve ter representação política. "Eu sempre falei pro Marcos (Marcola), uma vez que eu conversei com ele longamente, só na grade, olho no olho: ?Marcos, a gente precisa ter uma representação política!

O IRA (Exército Republicano Irlandês) que está bem pra cacete lá na Irlanda (do Norte), eles têm o Sinn Fein, que é um partido de representação política!" Em seguida, Carambola e Canônico questionam o advogado sobre qual candidato a prefeito de São Paulo a facção deve apoiar. Wesley conta quem são os pré-candidatos de partidos como DEM, PSDB e PT.

TESOUREIROS

Nesse trecho, a interceptação do diálogo ficou truncada. Aparentemente, os criminosos discutem como se aproximar dos partidos, doando dinheiro aos tesoureiros para financiar campanhas - há quem desconfie que a facção estaria pensando em se apossar do dinheiro das doações dadas aos partidos.

Embora Wesley diga que trabalhou na campanha de um político importante, os investigadores consideram que essa informação precisa ser melhor apurada. O advogado estaria "vendendo fumaça" para o PCC. "Ele tem um escritório ao lado de um córrego no bairro do Limão. Ele não tem todos os contatos que ele diz", disse uma autoridade que investiga o caso.

Carambola pede ao advogado que faça "esses levantamentos". "Com certeza, porque meu interesse é ganhar dinheiro também", diz Wesley. Canônico pede, então, a opinião do advogado sobre o protesto em Brasília. É quando o homem acusado de ser o principal pombo-correio da cúpula do PCC critica a mídia, que, segundo ele, abafou a manifestação. Uma ligação do gabinete do deputado federal Talmir Rodrigues (PV) para um detento da Penitenciária de Valparaíso já havia mostrado que o PCC estava por trás do ato e tentava se infiltrar no Congresso.

Essa não é a primeira vez que o PCC tenta entrar na política. Em 2002, a facção quis lançar o advogado Anselmo Neves Maia candidato a deputado federal pelo PMN. Maia acabou preso. Em 2006, outro advogado suspeito, Paulo Bravos, teve sua candidatura recusada pelo PV. Naquele ano, a facção planejava eleger um deputado estadual e um federal em São Paulo. O plano fracassou.