quarta-feira, 11 de agosto de 2010

COMUNISMO: HÁ QUEM DEFENDA!


Fifa vai investigar supostas punições a jogadores da Coreia do Norte após Copa do Mundo

Jogadores teriam sido obrigados a ficar perfilados durante seis horas ouvindo críticas de 400 integrantes do governo. Também teriam sido obrigados a culpar o técnico Kim Jong Hun como o responsável pelo mau desempenho.

Já se passaram algumas semanas, mas quem poderia esquecer? A eliminação da Coreia do Norte, na Copa da África do Sul, deixou o mundo inteiro preocupado. Parece que o temor tinha fundamento.
A Fifa anunciou hoje que vai investigar denúncias de que os jogadores da seleção norte-coreana sofreram punições.

Segundo dissidentes norte-coreanos e serviços de espionagem da Coreia do Sul, os jogadores foram obrigados a ficar perfilados durante seis horas ouvindo críticas de 400 integrantes do governo. Também teriam sido obrigados a culpar o técnico Kim Jong Hun como o responsável pelo mau desempenho.

O técnico teria tido a punição mais severa. Teria sido demitido e obrigado a trabalhar como operário da construção civil. Ainda segundo os sul-coreanos, a punição saiu barata para os padrões norte-coreanos. Antigamente, atletas e o treinador teriam sido mandados para campos de trabalho forçado.

Além do mau desempenho, a seleção foi envolvida em um dos maiores fracassos de relações-públicas do regime de King Jong Il. Animado com a derrota magra contra o Brasil - só 2 a 0 - o ditador permitiu que os norte-coreanos assistissem ao vivo o jogo contra Portugal. Foi a primeira transmissão desse tipo na história do país, logo o jogo em que a Coreia do Norte levou de 7 a 0. Depois ainda veio a derrota contra a Costa do Marfim.

Por enquanto, a Fifa vai enviar uma carta querendo saber detalhes sobre essas acusações e sobre a inesperada eleição de um novo presidente da federação norte-coreana de futebol. Essa informação foi dada pelo presidente da Fifa, Joseph Blatter, que está em Cingapura para a abertura dos Jogos Olímpicos da Juventude.

Ele também confirmou que na próxima reunião, em outubro, a Fifa vai analisar o uso de equipamentos eletrônicos para evitar a anulação de gols legítimos como ocorreu na última Copa do Mundo.

http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2010/08/fifa-vai-supostas-punicoes-jogadores-da-coreia-do-norte-apos-copa-do-mundo.html

MAIS UMA DO "CARA"

 

Lula sanciona lei que limita ação do TCU

11 de agosto de 2010 | 0h 00
Edna Simão / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo
 
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou ontem a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2011 que cria brechas para o governo gastar com mais facilidade e, ao mesmo tempo, fugir da fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU).

Lula vetou mais de 20 pontos da LDO mas garantiu a flexibilidade na contratação de obras e serviços por empresas públicas e para realização da Copa do Mundo de 2014. Isso será possível porque na LDO de 2011, aprovada às pressas pelo plenário do Congresso Nacional no mês passado, existe um artifício que possibilita que Petrobrás e Eletrobrás fiquem fora da aplicação de tabelas oficiais de preços, que são utilizadas pelo TCU para investigar irregularidades. Além disso, em vez de ser utilizado o preço de cada item, as obras poderão ser fiscalizadas pelo valor global do empreendimento.

Manobra. A derrota do TCU começou com uma manobra comandada ainda no Congresso pela base aliada do Planalto. Na ocasião da votação da LDO, o TCU defendeu alteração de um artigo que estabelecia que somente obras e serviços contratados com base nas regras da Lei de Licitações fossem sujeitos ao cumprimento de tabelas oficiais - Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi) e Sistema de Custos de Obras Rodoviárias (Sicro).

O TCU era contra o artigo porque excluía a Petrobrás e a Eletrobrás do regime de licitação e seria regulado apenas pelo decreto 2.745/98, ou seja, limitaria a fiscalização das contratações feitas pelas estatais. As estatais passariam a estar sujeitas a tabela específica, o que dificultaria a constatação de supervalorização de preços.

Mas o vice-líder do governo no Congresso Nacional, deputado Gilmar Machado (PT-MG), reverteu a situação. Em um acordo em cima da hora, ele inseriu artigo estabelecendo que não teriam de cumprir as tabelas oficiais itens de montagem industrial ou que não sejam considerados de construção civil. Com isso, a Petrobrás poderá construir plataformas e refinarias sem cumprir os preços da Sicro e Sinapi. Já a Eletrobras poderá o mesmo na construção de usinas.

"Petrobrás e o sistema elétrico vão ficar de fora", disse, na ocasião, o deputado. Dessa forma, as estatais acabaram saindo vitoriosas diante de uma briga antiga com o TCU. As empresas públicos, normalmente, se recusam a repassar informações sobre contratos ao tribunal por considerem que não devem obedecer a Lei de Licitações.

No que diz respeito às obras da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos, em muitos casos, não será necessário cumprir as regras da Lei de Licitações. Para agilizar as obras, a ideia do governo é utilizar o regime de empreitada, o que foi garantido com a sanção da LDO.

No mês passado, Machado explicou que esse tipo de contratação não está sujeita a Lei de Licitações. Além disso, para esses empreendimentos, haverá ainda flexibilização de regras jurídicas e ambientais.

A LDO manteve nas mãos dos parlamentares a tarefa de decidir sobre a interrupção ou não de obras públicas apontadas com indícios de irregularidades em relatórios apresentados pelo TCU. Mas o governo, assim como a empresa pública, também poderá apresentar relatório respondendo as pendências apontadas pelo tribunal e os custos de interrupção da obra.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

O PT DE SEMPRE...

No "JN", Dilma defende apoios de Sarney e Collor
Candidata abre ciclo de entrevistas e diz que governo exige "aliança ampla"

Petista cita Lula 7 vezes, se compara a "mãe" ao negar fama de ríspida e tropeça ao localizar Baixada Santista no Rio



Reprodução/TV Globo

Dilma infla dado em entrevista ao "Jornal Nacional"

DE SÃO PAULO A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, abriu ontem o ciclo de entrevistas ao vivo no "Jornal Nacional", da Rede Globo, defendendo o arco de alianças que a apoia. Ela disse que governar o país pressupõe a necessidade de se fazer uma "aliança ampla".

William Bonner listou aliados que, no passado, eram criticados pelo PT: Renan Calheiros (PMDB-AL), Jader Barbalho (PMDB-PA), José Sarney (PMDB-AP) e Fernando Collor (PTB-AL). "Quando foi que o PT errou? Antes ou agora?", questionou.

Dilma não respondeu diretamente, mas disse que o PT não tinha "tanta experiência" de governo. "O PT acertou quando percebeu a sua capacidade de construir uma aliança ampla", afirmou.

No bloco em que foi ao ar a entrevista, a audiência estava em 33 pontos na Grande São Paulo, o que equivale a 5,9 milhões de expectadores na Grande São Paulo, em números preliminares.

Dilma também foi questionada sobre a fama de ter "temperamento difícil" ou da suposta falta de "jogo de cintura" para negociar.
Bonner citou que, em solenidade oficial, Lula disse que recebera de ministros queixas de que foram maltratados por Dilma. "Ele não disse maltrados", respondeu Dilma. "O vídeo está disponível", retrucou o âncora.

Ela usou a metáfora de "mãe" para justificar eventuais embates no governo. "Sabe dona de casa? No papel de cuidar do governo, é meio como se a gente fosse mãe. Há a hora de cobrar e o momento de incentivar."

Dilma citou Lula sete vezes durante a entrevista, numa mudança de estratégia em relação ao debate da Bandeirantes, quando evitou mencioná-lo a toda hora.

Ela se apresentou como "o braço direito e o esquerdo" do presidente no governo e disse duas vezes que ocupava o "segundo cargo mais importante" do governo, ao se referir à Casa Civil.

As perguntas foram longas: Bonner e a Fátima Bernardes falaram por 3min50s dos 12mi35s da conversa.

Levemente nervosa, Dilma se confundiu ao dizer "Baixada Santista do Rio", em vez de Baixada Fluminense.

O "Jornal Nacional" entrevista hoje Marina Silva (PV) e amanhã, José Serra (PSDB).

No "Jornal da Dez", da Globonews, Dilma disse que não há problema em indicações políticas, mas em falta de transparência. "Não é necessário que o cargo não seja indicado por um partido que compõe a minha aliança", disse, ao ser questionada sobre a frase de seu vice, Michel Temer (PMDB), sobre partilhar o governo.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po1008201002.htm

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

FALSEANDO A HISTÓRIA

Instituto iraniano lança site de cartuns que questionam Holocausto

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DE SÃO PAULO
A fundação cultural não governamental Khakriz lançou um site de cartuns que ironizam o assassinato em massa de judeus no Holocausto e questionam "a grande mentira" histórica.
O site, que abre com a música tema da Pantera Cor-de-Rosa, traz os desenhos de Maziar Bijani, publicados originalmente em 2008, com textos de Borzo Bitaraf "dedicados a todos aqueles mortos sob o pretexto do Holocausto".

Reprodução
Site 
holocartoons traz desenhos que ironizam o que chama de mentira do 
Holocausto
Site holocartoons traz desenhos que ironizam o que chama de mentira do Holocausto
No texto, os autores ressaltam "respeitar todas as vítimas da Segunda Guerra, sejam judeus, cristãos ou muçulmanos", mas alegam que não esquecerão os palestinos mortos sob a mentira do Holocausto.
Desde a Revolução Islâmica de 1979, Irã não reconhece Israel como um Estado soberano e se refere ao país como regime sionista.
O massacre de judeus na Segunda Guerra (1939-1945) é frequentemente questionado pelo presidente iraniano, Mamhoud Ahmadinejad, que já chamou o Holocausto de "conto de fadas", e criticado pelos iranianos linha-dura como uma desculpa para Israel ocupar terras palestinas.
Ahmadinejad chegou a sediar uma conferência em dezembro de 2006 para questionar o Holocausto.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

COMUNISMO...

 

Chineses resistem aos confiscos de propriedade pelo Estado

Der 
Spiegel
Wieland Wagne

Segundo a constituição chinesa, as autoridades só podem confiscar propriedades para que estas sejam utilizadas em nome do interesse público

Autoridades municipais na China estão usando meios brutais para expropriar cidadãos comuns em uma tentativa de lucrarem com o boom do setor de construção no país. Alguns cidadãos desesperados se suicidaram, enquanto outros juraram defender as suas propriedades com a própria vida.

O empresário Gu Kui, 55, olha pelo espelho retrovisor do seu veículo utilitário esportivo. Ele está tentando desesperadamente despistar o carro azul que o está seguindo. Gu está tão nervoso que quase bate na traseira do automóvel à sua frente. Ele pisa forte no pedal de freio e gira abruptamente o volante. Derrapando, o seu veículo faz uma volta de 180 graus e para na direção oposta da rodovia.

O quase acidente sofrido por Gu na cidade de Chengdu, no oeste da China, termina sem ferimentos ou danos ao veículo. Com a sua manobra perigosa, Gu conseguiu se livrar das pessoas que o vinham seguindo – pelo menos por hoje. O motorista do carro que o seguia, acompanhado de cinco passageiros corpulentos, não tem escolha a não ser acompanhar o fluxo do tráfego e passar por Gu, no sentido oposto.

Gu acostumou-se a tais perseguições e encontros de arrebentar os nervos desde que desentendeu-se com as autoridades municipais de Chengdu, a capital da província de Sichuan. Ex-proprietário de um mercado de peças de automóveis, Gu faz parte de um grupo crescente de cidadãos chineses insatisfeitos. Eles estão se tornando cada vez mais ousados na sua oposição às práticas dos planejadores urbanos comunistas, que procuram confiscar propriedades e revendê-las para os tubarões do mercado imobiliário, em uma tentativa de lucrarem com o superaquecido boom do setor de construção na China.

“Eu tive que ficar olhando enquanto tratores demoliam a minha propriedade”


A ex-propriedade de Gu fica convenientemente localizada perto de uma estrada de acesso à rodovia principal. No terreno de aproximadamente cinco hectares, onde antigamente ele vendia carros e peças usadas, gruas e funcionários de construção agora trabalham arduamente para construir novos prédios de apartamentos. Faixas vermelhas fazem propaganda dos futuros apartamentos para potenciais compradores.

O governo municipal alugou a propriedade a ele por 30 anos. Na República Popular da China, todo terreno pertence ao Estado, que concede direitos de uso por períodos fixos: até 70 anos para as propriedades residenciais e 50 anos em se tratando de operações industriais. Mas outras regras se aplicam às áreas rurais, e este é o caso de Gu. De qualquer forma, as autoridades locais decidiram que poderiam ganhar mais dinheiro expulsando Gu do terreno e oferecendo-o a construtoras de prédios.

Gu se recorda do dia em que eles destruíram o seu meio de vida. Ele conta que centenas de policiais fortemente armados e capangas à paisana apareceram no local, trazendo três ambulâncias como medida de precaução. “Eu tive que ficar olhando enquanto os tratores demoliam a minha propriedade”, lembra-se Gu.

À medida que o ritmo da modernização da economia chinesa se acelera, as pessoas estão agarrando-se cada vez mais às suas propriedades e resistindo às prática arbitrárias do governo. Na cidade de Zhengzhou, no leste da China, uma mulher de 45 anos de idade foi morta em maio quando uma escavadeira a arrastou para fora do andar superior do seu restaurante, onde ela havia se entrincheirado para proteger a sua propriedade.

Agora Gu está processando o governo municipal de Chengdu. O processo – que, de forma bizarra, está sendo custeado por funcionários públicos locais, aparentemente em uma tentativa de livrarem-se dele – chegou a chamar atenção na distante Pequim.

Interesse público

O motivo pelo qual o processo de Gu está atraindo tanta atenção é o fato de ele não estar processando o governo apenas por danos. Em uma petição ao governo central e ao parlamento chinês, o Congresso Popular Nacional, o seu advogado, Zhang Xinkui, está também contestando fundamentalmente a suposta autoridade dos governos municipais para aquecerem o mercado imobiliário por meio do confisco e da venda arbitrários de propriedades.

O processo questiona toda a prática de capitalismo estatal chinês. Para os governos locais e seus funcionários frequentemente corruptos, comprar e vender terrenos transformou-se em uma fonte lucrativa de dinheiro para aumentar as verbas exíguas. Muitos deles, afirma Liu Jiayi, o auditor geral do país, enfrentam “fortes pressões de dívidas”.

Mas, segundo Zhang, os municípios da China estão violando a constituição nacional com os seus negócios no setor imobiliário. Segundo a constituição, as autoridades só podem confiscar propriedades para que estas sejam utilizadas em nome do interesse público. Embora “interesse público” seja um termo elástico no comunismo chinês, Zhang argumenta que o governo, com o seu papel duplo de fiscalizador e agente do mercado, está fomentando desnecessariamente a especulação e exacerbando as injustiças sociais.

Em 2007, o Congresso Popular Nacional da China baixou uma lei de proteção à propriedade privada – com a exceção de terrenos. Mas no decorrer da rápida urbanização, os planejadores, com o objetivo de promoverem crescimento econômico, muitas vezes dão pouca atenção aos direitos estabelecidos de moradores e donos de negócios. E, contrariando as diretrizes de Pequim, muitas autoridades locais tendem a promover, mais do que tudo, a construção de condomínios de luxo.
Suicídios e tortura

Yang Youde, por exemplo, traz no seu passado três gerações de fazendeiros. Até recentemente, ele plantava melões e algodão, e criava peixes, nos arredores de Wuhan, uma cidade de nove milhões de habitantes. Atualmente o mato toma conta dos seus campos de cultivo, e quase todos os peixes do seu grande lago morreram de fome. Este homem de 56 anos de idade passa a maior parte do tempo defendendo a sua propriedade do confisco por parte de autoridades municipais e especuladores.

As fachadas dos novos prédios de apartamentos de luxo estão se aproximando da propriedade de Yang, e a maioria dos seus vizinhos já capitulou. Yang conta que um homem desesperado e a sua mulher atearam fogo a si próprios, e outros se lançaram nos seus lagos e morreram afogados.

A propriedade de Yang, que consiste de casinhas de tijolos, parece uma fortaleza. Ele construiu uma plataforma sobre um depósito e está sempre de guarda. Yang conta que em agosto de 2009, após ter apresentado uma petição contra o planejado confisco da sua fazenda, a polícia veio e arrastou-o para uma das famosas “prisões negras” da China, onde ele ficou detido por 51 dias. “Eles me penduraram pelas mãos e me queimaram com cigarros”, diz Yang.

Agora ele pretende defender a sua propriedade com a única coisa que lhe restou: a sua vida.

Tradução: UOL

quinta-feira, 29 de julho de 2010

O CHEFE



Ex-petista escreve livro contra partido e era Lula; leia trecho de "O Chefe"

da Livraria da Folha

Livro revela detalhes do mensalão, escândalo que abalou o governo

O ex-petista Ivo Patarra, 47, compilou, organizou e editou todo o material produzido sobre o PT durante os 13 meses do escândalo do mensalão, o maior esquema de corrupção governamental de que se tem notícia no Brasil.

Com o resultado desse trabalho de pesquisa, escreveu "O Chefe", livro que traz os inquéritos, relatórios, sindicâncias, investigações e reportagens da época. O título é uma produção independente.

Os documentos contidos no volume sintetizam as investigações realizadas pelo Ministério Público, pela Polícia Federal, pelas Comissões Parlamentares de Inquérito e outras fontes, como as apurações da imprensa brasileira.

Nascido em São Paulo, Patarra é jornalista e foi assessor de comunicação social da ex-prefeita, e também ex-petista, Luiza Erundina, durante a gestão 1989-1992. Trabalhou nos jornais Folha de S.Paulo, "Folha da Tarde", "Diário Popular" e "Jornal da Tarde". Leia um trecho.

*
Capítulo 1
'O governo Lula é o mais corrupto de nossa história'
Qual a justificativa para o presidente da República nomear como ministro e integrante de seu primeiro escalão de auxiliares o homem que publicara, num dos jornais mais importantes do País, que ele, o presidente, era o chefe do governo "mais corrupto de nossa história"?

Pois Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula, nomeou o filósofo Roberto Mangabeira Unger no primeiro semestre de seu segundo mandato, em 2007, ministro da Secretaria de Planejamento de Longo Prazo, especialmente constituída para abrigá-lo. E não adiantou nem o PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) inviabilizá-la tempos depois, durante uma rebelião para obter mais cargos no governo e proteção para o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), o então presidente do Senado, acusado de corrupção. Apesar de o PMDB derrotar a Medida Provisória que criara o posto para Roberto Mangabeira Unger, Lula deu um jeito na situação, nomeando-o novamente, desta vez como ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos. A posição do detrator estava garantida.

"Pôr fim ao governo Lula" é o título do artigo de Roberto Mangabeira Unger publicado na Folha de S.Paulo em 15 de novembro de 2005, no sugestivo dia da Proclamação da República. O ano de 2005 havia sido marcado pela eclosão do escândalo do mensalão. Este é o parágrafo de abertura do artigo:

"Afirmo que o governo Lula é o mais corrupto de nossa história nacional. Corrupção tanto mais nefasta por servir à compra de congressistas, à politização da Polícia Federal e das agências reguladoras, ao achincalhamento dos partidos políticos e à tentativa de dobrar qualquer instituição do Estado capaz de se contrapor a seus desmandos."

O que poderia ter levado o presidente da República a nomear como ministro o autor dessas acusações? E Roberto Mangabeira Unger não estava brincado, a julgar pela defesa que fez do impeachment de Lula. Ao denunciar "a gravidade dos crimes de responsabilidade" supostamente cometidos pelo presidente, o então futuro ministro afirmou em seu artigo que Lula "comandou, com um olho fechado e outro aberto, um aparato político que trocou dinheiro por poder e poder por dinheiro e que depois tentou comprar, com a liberação de recursos orçamentários, apoio para interromper a investigação de seus abusos".

Alguém poderia argumentar que a nomeação de Roberto Mangabeira Unger seria um mal necessário. Coisa da política. E tentar explicá-la pela importância do filósofo, um professor da prestigiada Universidade de Harvard, das mais importantes dos Estados Unidos, por quase 40 anos. O Brasil, portanto, não poderia prescindir da experiência e do prestígio de Roberto Mangabeira Unger, que teria muito a contribuir com o País.

Será mesmo? A cerimônia de posse do filósofo não demonstrou isso. Poucos ministros, cadeiras vazias, menos de uma hora de solenidade. E mesmo antes da criticada viagem de Roberto Mangabeira Unger à Amazônia, em 2008, na qual defendeu o desvio de águas da região para abastecer o Nordeste, sem considerar que centenas de milhares de amazonenses ainda não dispunham de água encanada, o ministro já era considerado, em âmbito do governo, "café-com-leite". Ou seja, não lhe era atribuída importância, nem de seu trabalho haveria algo para se aproveitar.

Outro trecho do artigo de Roberto Mangabeira Unger: "Afirmo ser obrigação do Congresso Nacional declarar prontamente o impedimento do presidente. As provas acumuladas de seu envolvimento em crimes de responsabilidade podem ainda não bastar para assegurar sua condenação em juízo. Já são, porém, mais do que suficientes para atender ao critério constitucional do impedimento. Desde o primeiro dia de seu mandato o presidente desrespeitou as instituições republicanas. Imiscuiu-se e deixou que seus mais próximos se imiscuíssem, em disputas e negócios privados".

Talvez, então, a razão para a nomeação de Roberto Mangabeira Unger tenha sido de ordem político-partidária. Ou seja, o filósofo traria para o governo a base social representada por seu partido, ampliando o número de legendas que davam sustentação à administração Lula no Congresso. Como vimos, no entanto, Roberto Mangabeira Unger passou a maior parte da vida nos Estados Unidos, o que o forte sotaque não deixava desmentir. Não possuía qualquer base social, nem traria consigo qualquer força orgânica da sociedade.

Quanto a seu partido, o minúsculo PRB (Partido Republicano Brasileiro) tinha menos de 8 mil filiados quando Roberto Mangabeira Unger se tornou ministro e era um dos menores partidos políticos do País. Não agregava praticamente nada à base aliada de Lula. Por apoio político-partidário não faria sentido nomear Roberto Mangabeira Unger. Afinal, o PRB, ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, possuía apenas três deputados federais, um senador e o vice-presidente da República, José Alencar (MG), que saíra do PL (Partido Liberal) em decorrência do escândalo do mensalão e foi o grande incentivador da nomeação do filósofo.

Em outro trecho do famoso artigo, Roberto Mangabeira Unger afirmou que "Lula fraudou a vontade dos brasileiros", ameaçava a democracia "com o veneno do cinismo" e tinha um projeto de governo que "impôs mediocridade". E mais: "Afirmo que o presidente, avesso ao trabalho e ao estudo, desatento aos negócios do Estado, fugidio de tudo o que lhe traga dificuldade ou dissabor e orgulhoso de sua própria ignorância, mostrou-se inapto para o cargo sagrado que o povo brasileiro lhe confiou".

Para fazer a vontade de seu vice José Alencar, um homem leal e doente, Lula só precisaria ter dito que gostaria muito de nomear alguém indicado por ele, mas não poderia ser o homem que o acusara de chefiar o governo mais corrupto da história.

Poderia ser qualquer um, menos aquele que conclamara o Congresso a derrubá-lo da Presidência da República, por corrupção. Por que Lula nomeou Roberto Mangabeira Unger, autor de acusação tão séria? Nas páginas deste livro, o leitor será convidado a encontrar a resposta.
*

"O Chefe"
Autor: Ivo Patarra
Páginas: 460
Quanto: R$ 49,90
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

http://www1.folha.uol.com.br/folha/livrariadafolha/750738-ex-petista-escreve-livro-contra-partido-e-era-lula-leia-trecho-de-o-chefe.shtml

quarta-feira, 7 de julho de 2010

BRASIL, SIL, SIL!

‘A ideia do Brasil como futura potência ainda é especulação’, diz Krugman

Em entrevista exclusiva no Brasil para o 'E&N', economista critica o conceito dos Brics e questiona papel das economias emergentes na recuperação mundial
Nívea Terumi e João Caminoto, do Economia & Negócios  



SÃO PAULO - Um dos economistas mais respeitados do mundo, Paul Krugman, colunista do jornal The New York Times, comprou briga com os principais líderes europeus e colegas de profissão. Para o Prêmio Nobel de Economia de 2008, a recuperação da atividade mundial depende da concessão de mais estímulos pelos governos, num movimento contrário às diretrizes dos líderes da União Europeia e assunto ainda em discussão nos Estados Unidos. Expressões como "justiceiros invisíveis do mercado" e "fada da confiança" são algumas das que tem usado para atacar, de forma categórica, os defensores da austeridade fiscal abraçada por vários países europeus, como a Alemanha e o Reino Unido.

Para economista, medidas de austeridade fiscal na Europa são um erro


Em entrevista exclusiva no Brasil para o site Economia & Negócios, Krugman alertou para o que considera um excesso de otimismo com a emergência do Brasil no cenário mundial: "A ideia do Brasil como uma futura superpotência econômica ainda é muito baseada na especulação sobre suas conquistas. Espero que um dia seja verdade, mas ainda não vejo isso acontecendo." Para ele, a teoria dos Brics - Brasil, Rússia, India e China - é um "conceito pobre" pois é errôneo colocar dentro de um mesmo grupo economias com realidades tão distintas.
O colunista - cujo blog no Times é publicado com exclusividade no Brasil pelo E&N - também questionou o papel creditado aos países emergentes na recuperação global. Krugman vê com pessimismo as chances de a China tomar a liderança do crescimento mundial, assim como não enxerga uma saída para todos os países do euro. "Não vejo a Europa entrando em colapso, vejo mais uma chance de ela perder alguns países periféricos, com saídas plausíveis, como da Grécia."
A seguir, os principais trechos da entrevista.
O senhor acredita que existe um otimismo exagerado com a economia brasileira e outros países emergentes? O conceito dos Brics ainda é válido?
Sempre considerei o conceito dos Brics muito pobre, porque são economias muito díspares. Índia e China talvez possam pertencer a um mesmo grupo, por serem ainda economias com mão de obra muito barata; Rússia é um exportador de petróleo e o Brasil é um país de renda média baixa muito diferente dos outros. O Brasil é uma boa história, que na última década teve um desempenho melhor do que o esperado, conseguiu evitar uma crise severa, promoveu uma série de melhoras no poder de compra da base de sua população diante uma história de disparidade nas rendas, mas não é ainda uma história notável de crescimento. A ideia do Brasil como uma superpotência econômica futura é ainda muito baseada em especulação com suas conquistas recentes. Espero que um dia seja verdade, mas ainda não vejo isso acontecendo. Não vejo indicação hoje no crescimento do Brasil de que ele possa emergir como uma potência da mesma forma que a China.
Qual o papel da China na recuperação do crescimento econômico mundial?
A China é muito problemática, mesmo deixando de lado a questão da moeda, que tem impedido que sua demanda interna ajude o restante do mundo. Mesmo agora, ela não é uma economia tão grande, imaginamos que ela seja pela enorme quantidade de pessoas, mas do ponto de vista da taxa de câmbio - que é o que importa - ela ainda é do tamanho do Japão. Uma maneira que poderia fazer as economias emergentes liderarem a recuperação mundial seria se elas se preparassem para uma entrada massiva de capitais, com elevados déficits nas suas contas correntes. Mas esse não é um cenário real, uma vez que os governos desses países não permitirão que isso aconteça. Olho para o final do século 19, quando os pesados estímulos daquela época permitiram o surgimento de novas tecnologias e aceleraram a demanda. O problema é que o IPad não é grande o suficiente. É difícil prever como esse período de fraca demanda mundial chegará ao fim, e pode haver um longo caminho antes que isso aconteça.
É correta a percepção de que a atual crise nos países da União Europeia seja mais uma crise do euro do que uma crise de dívida soberana?
O euro tem sérios problemas, não é apenas uma crise de dívida. Casos como o da Espanha, que vinha tendo bons resultados nos últimos anos e agora está nessa situação, e mesmo a Grécia, que deve passar por uma fase de forte deflação após muitos anos de entrada massiva de capitais são situações muito difíceis de imaginar uma solução. Está-se diante de uma moeda única numa área que de certa forma nunca estabeleceu critérios para ter uma moeda única.
Como a Europa deve lidar com a sua crise de dívida soberana, como evitar que o euro entre em colapso?
É difícil ver uma saída para a Grécia sem uma reestruturação, e a questão principal para ela não é como irá reestruturar sua dívida, mas como ela vai resolver a questão do euro. Para o restante dos países, políticas não sincronizadas ajudariam muito; o programa de austeridade espanhol tem mais probabilidade de dar certo se toda a Alemanha não estiver também sob um programa de austeridade. Não vejo o euro entrando em colapso, vejo mais uma chance de a zona do euro perder alguns países periféricos, com saídas plausíveis como da Grécia. Ficaria muito surpreso se as economias centrais do euro não permanecessem com a moeda única.
O que poderia ser feito para que o euro seja uma moeda mais viável?
Uma política de meta de inflação mais frouxa, por exemplo, poderia ajudar. Se a zona do euro estabelecesse uma meta de 3% ou 4% seria bem mais fácil de se fazer ajustes nos países problemáticos do que com uma meta de 1% ou 2%, como é agora.
A crise Grega está sendo comparada à crise Argentina em 2001. Isso significa que a Grécia deva deixar o euro? E em relação a outros países em situação semelhante?
Há diversas semelhanças da Grécia com a Argentina. Eu diria que a Argentina se comportou de forma mais responsável, com um déficit substancialmente menor do que tem a Grécia. Mas em ambos os países você tem uma economia que recebeu volumes intensos de entrada de capital ao longo de vários anos e, quando esse capital secou, viu-se com uma grande quantidade de obrigações em sua moeda. No caso da Argentina, ela estabeleceu uma paridade com o dólar e um novo sistema de câmbio. O aconteceu foi que a primeira ação foi enfrentar uma crise bancária, que forçou o governo a fechar os bancos. Não estou dizendo que a Grécia deva abandonar o euro, mas, se houver uma crise bancária, o governo será obrigado a decretar um feriado bancário e a questão que fica é por que se manter no euro. Os argumentos são muito fortes sobre como isso acaba.
Qual a sua opinião sobre o acordo feito pelos líderes do G-20 para diminuírem seus déficits? Seria uma espécie de derrota à economia keynesiana?
Sim. A promessa de reduzir os déficits não foi nada além do que já se planejava. No caso dos Estados Unidos, a meta não é diferente da que já era prevista diante de uma recuperação da economia. Não há dúvidas de que o tom geral desse acordo foi "ok, está na hora da austeridade", e isso é uma coisa muito chocante de se ver, diante de uma recuperação econômica mundial ainda muito distante. Todos sabem que sou furiosamente contra isso, principalmente porque essa virada para a ortodoxia na política econômica mundial ocorreu sem nenhuma evidência clara de que era necessária.
Qual a disposição dos Estados Unidos de realizar acordos de livre-comércio?
Atualmente, não há muita discussão sobre acordos comerciais. Dada a situação política do país, com o presidente Obama tendo de lutar até mesmo por questões triviais e óbvias que devem ser feitas, não há como desperdiçar capital político com acordos comerciais, como a Rodada Doha. Se eu fosse ele, faria o mesmo. Esse é um assunto que não está no topo da agenda da atual gestão ou mesmo da próxima.
Há algum substituto para o dólar como principal moeda de reserva?
Uma moeda de reserva de valor não é algo que possa ser estabelecido por uma decisão política. Os países não guardam dólares ou euros porque alguém tenha ordenado; eles o fazem porque essas moedas são aparentemente mais seguras e altamente líquidas e esse é o problema principal do SDR (moeda composta por uma cesta de moedas do Fundo Monetário Internacional). O que poderia substituir o dólar teria de ser algo comprovadamente melhor desse ponto de vista. A única alternativa possível seria o euro, e há dois ou três anos eu imaginava que ele alcançaria uma parcela maior das reservas mundiais em relação ao dólar, mas acho que o euro deu um grande passo atrás, com todos os problemas atuais.
Há a possibilidade de um duplo mergulho na economia mundial com as medidas de austeridade tomadas na Europa?
Acredito que seja ainda uma possibilidade, mas não a mais provável. Você não vê um PIB em queda. Acho que um problema maior é que fizemos um progresso muito frágil na diminuição do desemprego nos Estados Unidos. Então um mergulho duplo propriamente dito, acredito que não; recuperação do desemprego, provavelmente sim, e é isso que me preocupa.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

APESAR DA COPA DO MUNDO...



Um terço passa fome "às vezes" ou "normalmente", diz IBGE

Armando Pereira Filho
Editor do UOL Economia

Mais de um terço dos brasileiros declara que não come o suficiente “às vezes” ou “normalmente”. No total, 35,5% das pessoas se classificam nessa situação de fome.

A situação mais grave (os que “normalmente” não comem o suficiente) afeta 9,2% dos brasileiros. Os que “às vezes” passam fome somam 26,3%. Os que “sempre” comem o suficiente são 64,5%.

Os dados são da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008/2009, divulgada nesta quarta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Entre a última pesquisa, de 2002/2003 e a apresentada agora, houve redução entre os que disseram ter fome "às vezes" ou "normalmente". Em 2002/03, eram 46,7% da população, caindo agora para 35,5%.

Mas ainda assim há muita gente nessa situação. No Norte e Nordeste do país, o drama é pior: cerca de 50% das famílias se referiram a insuficiência na quantidade de alimentos consumidos.

Na região Sudeste a proporção das famílias que apontaram quantidades insuficientes foi pouco acima de 29%. Na Região Sul, esse percentual se aproxima de 23%, e, no Centro-Oeste, é de 32%.

Segundo o IBGE, 64,5% das famílias declararam ter alimentos suficientes para chegar ao fim do mês, contra 53% na pesquisa feita em 2002/03.

Entre moradores de Estados brasileiros que manifestaram expressiva satisfação na quantidade de alimentos consumidos, destacam-se os de Rio Grande do Sul e Santa Catarina onde as proporções da resposta quantidade “sempre” suficiente foram 80,7% e 78,1%,
respectivamente.

Na região Sudeste, os maiores percentuais de suficiência plena de quantidades foram apontados em São Paulo e Minas Gerais (ambos perto de 72%).

A POF 2008-2009 também investigou qual a opinião das famílias quanto ao tipo de alimento consumido. Para o total do Brasil, 51,8% das famílias afirmaram que os alimentos consumidos nem sempre eram do tipo preferido.

Considerando-se também as famílias que declararam raramente consumir os alimentos preferidos, observa-se que 65% das famílias no Brasil declararam algum grau de insatisfação com o tipo de alimento que consomem.

terça-feira, 8 de junho de 2010

PT, SEMPRE PT...


Delegado reafirma que jornalista pediu investigação sobre José Serra
RUBENS VALENTE
DE BRASÍLIA
O delegado aposentado da Polícia Federal Onézimo das Graças Sousa reafirmou à Folha que o jornalista Luiz Lanzetta --encarregado, até a semana passada, da área de imprensa da pré-campanha de Dilma Rousseff (PT)-- lhe pediu que fizesse investigações sobre o ex-governador José Serra (PSDB-SP).
De Minas Gerais, por telefone, Sousa afirmou que não aceitou realizar as apurações sobre Serra nem fechou o contrato.
Tanto Lanzetta quanto o jornalista Amaury Ribeiro Jr., presentes à reunião, negaram que tal pedido tenha sido feito. Lanzetta deixou a campanha no último sábado, após a revista "Veja" divulgar as declarações de Sousa. Indagado se gravou o encontro, Sousa não negou nem confirmou.
Na entrevista, Sousa disse que se viu alvo de um vazamento de "dentro da casa do PT" e que o assunto, ao ser apurado pela revista "Veja", "foi parar no meu colo".
"Eu me senti na obrigação de esclarecer os fatos."
A seguir, trechos da entrevista.
FOLHA - Gostaria de ouvi-lo sobre a entrevista concedida à revista "Veja"...
Onézimo das Graças Sousa - Foi você que fez uma entrevista com uma pessoa lá da casa? Você viu o que ele falou? Você imagina uma estrutura dessas, uma candidata [importante], talvez a futura presidente do nosso país, monta um escritório onde ocorrem roubos lá dentro. Não pega mal? Quer dizer, eu fui chamado, como policial, para apurar um roubo. E o jornalista [Ribeiro] confirma isso --por sinal foi contratado para fazer isso e não teve competência para fazer. Tanto é, se você olhar na entrevista, são dois tipos de coisas distintas: a primeira eu faço, para seu jornal, sua casa, se você for contratar uma empregada, eu faço: 'Olha, doutor, veja se essa pessoa tem antecedentes'. Isso é uma coisa normal, você faz sem violação a qualquer princípio. Agora, o segundo tópico, que se falou que era para fazer, é que eu não concordei. Aí roubam o meu cartão, dão para a revista e, de repente, põem tudo no meu colo.
Essa segunda parte incluía investigações sobre o ex-governador Serra?
Você há de convir que foi aí que foi o 'xis' da questão. Se você olhar, eu fiz uma carta para a "Veja", em que eu neguei tudo. Eu falo, puxa, 'eu sou advogado, falar que eu trabalhei com o [deputado federal] Marcelo Itagiba, que eu tinha um escritório no Ministério da Saúde', pura mentira, nunca. Se alguém registrar algum recebimento [meu] do Ministério da Saúde eu dou cem vezes mais o valor para uma instituição de caridade. Eu nunca trabalhei no Ministério da Saúde. Falou-se que eu tinha um gabinete no 11º andar. Poxa, então eu vou lá pegar meu dinheiro, eu quero receber.
O sr. nunca integrou aquele grupo da Anvisa que investigava fraudes em medicamentos?
Nunca, nunca, nunca. O meu contato com Marcelo Itagiba foi quando eu ainda estava na ativa [até ano 1995]. Nunca trabalhei sob comando de Marcelo Itagiba. E aí o cara me põe no Ministério da Saúde. Para você ter uma ideia, eu me aposentei em 1995, já se vão 15 anos. Aí ele vem [a imprensa] e me põe trabalhando com [o delegado da Operação Satiagraha] Protógenes [Queiroz] em 2006? Eu estou aposentado há uns 17 anos. Por isso eu não estou falando. Eu respeito o trabalho de vocês, mas fica uma Torre de Babel.
Eu gostaria de saber se o sr. confirma o que está na revista "Veja", de que em determinado momento da reunião, foi pedido que o sr. investigasse Serra.
Veja a resposta que ele [Amaury] lhe deu: 'eram dois serviços, um era proteger a casa' --eu fui lá chamado para isso, problema de polícia, roubo-- 'o outro era saber quem eram esses varas do Itagiba'. É esse que eu não aceitei. Está claro aqui na sua reportagem. Como eu não aceitaria investigar qualquer grupo, meu papel não é esse.
Mas o pedido da equipe da campanha falava no nome do ex-governador?
Veja só: eu te pergunto... Eu confesso a você, passei 30 anos, eu sou um policial, eu não vou pegar uma revista, um jornal, amanhã, e tentar escrever um artigo no seu lugar. Será um fiasco. Eu sou policial. E o que aconteceu foi um jornalista tentando ser policial. Agora, ele, sabedor que eu [supostamente] trabalhei com o Itagiba, que era do PSDB, por que ele me chamou? Era um atestado de burrice, me desculpe. A não ser que você queira dormir com um inimigo.
O sr. é amigo de Itagiba?
Eu o respeito como um colega, trabalhamos na mesma instituição. E ponto final. Agora, veja, ele disse que eu trabalhei com Itagiba, e me chama, me põe dentro do comitê da candidata, que seria o lado contrário de Itagiba? Ele que me levou lá para dentro, então será que ele aprontou isso por incompetência?
Também disseram que o sr. teria dito que tem conhecimento de que Itagiba estava produzindo dossiês sobre o PMDB. Isso procede?
Negativo. Isso era a segunda parte do serviço, como ele afirmou para você. Eram dois serviços. Um era proteger a casa, isso faço para você, para quem quiser. E o outro era saber quem eram esses caras do Itagiba. Sua reportagem é claríssima. E foi o tópico com o qual eu não concordei. Agora, você acha, segundo falam na imprensa, um contrato de R$ 2 milhões, eu precisando trabalhar, eu iria levar isso para a "Veja"? Olha que papel idiota que eu iria fazer. Estou falando com você porque achei suas perguntas inteligentes, só faltou você explorar mais um pouquinho, 'se você sabia que o homem era do Itagiba, por que foi falar com ele?'
Pelo que entendi, eles alegam que quem apresentou o sr. foi outra pessoa.
Negativo. Eles queriam que eu fosse à casa. E, graças a Deus, eu não sou burro, nunca pisei um pé lá e não sei onde é. Aí eles marcaram no restaurante.
À "Veja" o sr. falou em 'coisas pessoais' do ex-governador [Serra]. Ocorreu essa expressão, 'coisas pessoais do ex-governador'?
Veja bem, a partir do momento em que alguém me procura e fala assim, 'doutor, eu quero saber tudo do jornalista 'xis'', eu tenho bola de cristal, eu sou [a vidente] Mãe Diná? Eu não sou Mãe Diná. Não precisa explicitar, né?
Então o sr. confirma que eles queriam saber tudo de José Serra?
Exatamente. Então, para eu saber tudo de você, você sabe qual seria o método. Eu não trabalho com esse tipo de coisa.
Mas, no pedido específico, eles não falaram 'tudo sobre Itagiba', eles falaram 'tudo sobre Serra'?
Exato. Acho que a entrevista, nesse ponto, bate. Outra coisa: a imprensa põe que eu sou dono de empresa. Eu queria que você ressalvasse bem: eu sou um advogado. E advogado não pode falar o que o cliente lhe confidencia. Agora, roubaram o meu cartão e foi parar no colo [do jornalista de "Veja"] com tudo, né? Preste atenção a esse tópico, porque isso é importante.
E o sr. chegou a ver esse cartão?
Foi quando eu fui falar com o jornalista, o jornalista tinha o cartão na mão. Perguntei: 'Onde o sr. conseguiu isso?'. [Ele respondeu]: 'Dentro da casa do PT'. Então o jornalista tem alguém lá dentro.
O que o motivou a dar essa segunda entrevista. Porque no primeiro contato, na primeira publicação, não há exatamente aquelas palavras. O que o motivou...
Veja só. Você viu a carta que mandei para a "Veja", falando do meu papel de advogado? Ora, a partir do momento em que o cliente repassou à "Veja" --o sr. Amaury repassou à "Veja" também, depois que viu a bomba na mão, ele sentou com o jornalista e conversou-- a partir do momento em que o cliente senta e abre o jogo, não fui eu que abri. Então eu me senti na obrigação, também, de esclarecer os fatos. Você viu que são dois momentos. O primeiro momento, o advogado não fala. Agora, se você vem em busca do meu serviço, depois vai na imprensa e põe manchete, 'não, eu procurei o advogado tal' e diz isso e isso, não fui que quebrei.
O sr. tem uma empresa de investigação?
Sou advogado, não tenho [empresa], nunca trabalhei para o Ministério da Saúde. Uma coisa que sei fazer, graças a Deus, é investigar. Investigar eu sei. Trinta anos fazendo isso. Trabalhando contra narcoterrorismo, que é a minha especialidade. Agora, ele mesmo ressaltou, que lá na casa estavam roubando. Eu fui atrás de um ladrão. [...] Primeira pergunta que se faz, quando alguém rouba a sua casa, é quem entrou na sua casa, quem são seus empregados. Eles sequer tinham uma relação nominal de quem estava lá dentro. Quer dizer, é uma casa da Mãe Joana, me desculpe. Agora, como é que se monta uma estrutura para uma candidata e não se preocupa sequer com quem está entrando na casa. Tanto é que a "Veja" pôs [alguém] lá dentro, sentado na mesa.
Há o boato de que alguém teria gravado a reunião. O sr. gravou esse encontro?
Isso é matéria de defesa minha. Ele [Amaury] disse que vai me processar. Eu vou esperar o processo dele. Você não pode gravar conversas de terceiros, mas sua, você pode.
Isso é pacífico que pode, há jurisprudência no Supremo. Mas o sr. realmente registrou a conversa?
Eu prefiro não declinar. Agora, se ele vai me processar... Mas pelo menos ele não negou a reunião, pois eles me chamaram, queriam que eu fosse à casa e eu não fui.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

quarta-feira, 19 de maio de 2010

DEUS SEJA LOUVADO!!!



Paulo Maluf deverá ir a julgamento no STF sob acusação de crime contra o sistema financeiro

Para o ministro Lewandowski, denúncia do MPF não evidencia crime antecedente ao delito de lavagem

O deputado federal Paulo Salim Maluf e sua mulher, Sylvia Lutfalla Maluf, deverão ser julgados pelo Supremo Tribunal Federal sob a acusação de manter depósitos em contas no exterior sem declarar esses bens à repartição federal competente (Artigo 22, parágrafo único, da Lei 7.492/86, que define os crimes contra o sistema financeiro, prevendo pena de dois a seis anos de reclusão e multa).

O ministro Ricardo Lewandowski, relator da Ação Penal 461, rejeitou a alegação de inépcia da denúncia, indeferiu provas requeridas pela defesa, concluiu a fase de obtenção de provas e determinou que fosse designada data para o julgamento, quando deverá submeter a denúncia aos demais ministros do STF. A Corte decidirá pelo recebimento ou não da acusação. O processo tramita em segredo de justiça.

Em decisão tomada no último dia 12, Lewandowski acolheu proposta da acusação e conferiu definição diversa às condutas retratadas na denúncia. Na ação original, que tramitou na 2ª Vara Criminal Federal em São Paulo a partir de denúncia do Procurador da República Rodrigo de Grandis (na foto), atribui-se a Maluf os crimes de lavagem de dinheiro ou ocultação de bens (Lei 9.613/98).

Segundo Lewandowski, "a denúncia, não obstante tenha identificado e descrito o ilícito correspondente à manutenção de depósitos bancários dos réus em instituições financeiras situadas no exterior, sem a devida comunicação às autoridades competentes, não evidenciou essa conduta, de modo suficientemente claro, como crime antecedente ao delito de lavagem de capitais".

Como registra na decisão, o ministro valeu-se de faculdade que permite ao juiz "conferir aos fatos descritos na denúncia definição jurídica diversa daquela inicialmente proposta, mesmo que venha aplicar pena mais grave" (Artigo 383 do Código de Processo Penal).

No caso, segundo esclarece Lewandowski, "a pena cominada para a nova tipificação é mais branda, o que, em realidade, afigura-se mais benéfico para os réus". A decisão de atribuir definição jurídica diversa, segundo Lewandowski, "não gera qualquer prejuízo aos réus, pois a narração fática permanece rigorosamente inalterada, o que, por óbvio, não implica a necessidade de complementação das defesas".

Lewandowski rejeitou a alegação sustentada por Maluf na defesa prévia, segundo a qual não haveria provas da movimentação financeira nas contas bancárias em nome de sua mulher, abertas no JP Morgan Chase Bank, em Paris. Segundo o ministro, "a denúncia identificou pormenorizadamente diversas contas correntes dos réus no exterior".

O relator indefiriu o pedido de expedição de ofício às autoridades francesas para obtenção de extratos junto ao JP Morgan e à Receita Federal para esclarecer como eram declaradas as contas bancárias no exterior.

Em setembro de 2009, reportagem da Folha (*) revelou preocupação do Ministério Público Federal de que Maluf venha a ser beneficiado pela prescrição de crimes [perda do prazo para a ação] e pela subida do inquérito para o STF, onde a tramitação costuma ser mais demorada. Como tem mais de 70 anos, Maluf também é beneficiado pelo Artigo 115 do Código Penal, que reduz pela metade o tempo para a prescrição, cuja contagem começa da data do suposto crime. O eventual recebimento da denúncia interrompe a contagem do tempo para prescrição.

"Muito provavelmente o caso estaria em fase final na primeira instância", disse, na ocasião, o procurador da República Rodrigo de Grandis [com a diplomação de Maluf como deputado federal, em dezembro de 2006, o processo subiu para o STF].

O advogado José Roberto Leal, que defende Maluf no STF, afirmou, então, que, "se há demora [na tramitação do inquérito no STF], é o Ministério Público que a provoca".

Segundo o advogado, "o motivo pelo qual o processo ainda não chegou à fase de decisão é que o Ministério Público vem apresentando, "à moda do conta-gotas", elementos que eles entendem necessários ao julgamento. Recentemente vieram para os autos 120 apensos com mais de 20 mil folhas. Isso importou, de acordo com a lei, na abertura de vista à defesa, para que pudesse manifestar-se sobre esses documentos", afirmou Leal, na ocasião.

Maluf sempre negou as acusações. Seu assessor de imprensa, Adilson Laranjeira, reafirmou na reportagem citada: "Paulo Maluf não tem e nunca teve conta no exterior".

(*) Acesso a assinantes do jornal e do UOL

Escrito por Fred às 10h02

http://blogdofred.folha.blog.uol.com.br/arch2010-05-01_2010-05-31.html#2010_05-19_11_02_16-126390611-0

quinta-feira, 13 de maio de 2010

ANDY WARHOL: R$ 58 MILHÕES


Auto-retrato de Andy Warhol é vendido por R$ 58 milhões em Nova York

da Reportagem Local

Um auto-retrato feito por Andy Warhol em 1986 foi vendido por US$ 32,6 milhões (cerca de R$ 58 milhões) nesta quarta-feira pela casa de leilões Sotheby's, em Nova York. O valor ficou bem acima da estimativa de US$ 15 milhões, segundo o jornal "New York Times".

O dono do auto-retrato de Warhol era o estilista Tom Ford, que coleciona obras de arte. Embora não estivesse presente na Sotheby's, ele disse que estava acompanhando pela internet em sua casa em Londres.

Seis pessoas tentaram comprar a obra, que acabou sendo vendida para Gregoire Billaut da Sotheby's de Paris, que comprou por telefone para um cliente anônimo.

Warhol fez cinco versões diferentes de seu auto-retrato, cada um com uma cor. A amarela e a azul estão no The Andy Warhol Museum em Pittsburgh, a verde no Modern Art Museum de Fort Worth, e a vermelha pertence a um magnata chamado Peter M. Brant.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u734485.shtml

quarta-feira, 12 de maio de 2010

ASSESSOR DE LULA


Gilberto Carvalho ajudou líbio acusado de fraude

Com a intervenção do chefe de gabinete de Lula, Khalifa Gannai conseguiu em menos de 24 horas documento que Ministério do Trabalho em geral demora 30 dias para conceder

Na rotina do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), um dos expedientes é emitir para estrangeiros que têm negócios no Brasil um registro de investidor no país. Trata-se de um documento importante para que empresários de outros países que atuam aqui consigam, na Polícia Federal, um visto de permanência. A burocracia estatal faz com que esses registros demorem, em média, 30 dias para sair. Há, porém, um cidadão líbio que conseguiu uma proeza: seu registro de investidor foi prorrogado no mesmo dia em que foi pedido. E ele nem tinha uma empresa em atividade no Brasil para comprovar seus negócios. Era apenas sócio do ex-senador Ney Suassuna (PMDB-PB) numa firma que nunca saiu do papel.

A proeza desse líbio, de nome Khalifa Abdalla Gannai, explica-se por uma importante intervenção em seu favor. Gilberto Carvalho, chefe do gabinete pessoal do presidente Lula, fez um pedido pessoal ao Ministério do Trabalho para que o registro fosse prorrogado. O caso de Khalifa e a intervenção de Gilberto Carvalho são agora alvos de uma denúncia que está sendo investigada pelo Ministério Público Federal.
Processos iguais ao de Khalifa e sem intervenções como a de Carvalho costumam demorar cerca de 30 dias para serem analisados e aprovados no Conselho Nacional de Imigração do MTE. O registro garante a permanência de estrangeiros no país, caso seja comprovado que suas empresas têm capital investido e capacidade de gerar empregos por meio de atividade regular. 

Mas este não era o caso da Libras Brasil 2001 Importadora e Exportadora. Inquérito da Delegacia de Imigração da Polícia Federal, ao qual o Congresso em Foco teve acesso, mostra que Gannai, Rodrigo Suassuna - filho de Ney Suassuna e gestor da empresa - e Daniela dos Santos, que dizia ser funcionária da sociedade entre o líbio e a família Suassuna, fizeram falsas declarações no processo para mascarar a inatividade da Libras.

Ao perceber a fraude, a Polícia Federal encaminhou uma denúncia contra os três ao Ministério Público Federal (MPF) em novembro de 2009. Khalifa Gannai não conseguiu seu visto de permanência. 

Segundo a denúncia do MPF, no suposto endereço da empresa funcionava o Banco BRJ, onde trabalha até hoje Daniela dos Santos. "A empresa na realidade nunca funcionou, pois, não teve funcionários, muito menos, em 2005, um investidor", diz a denúncia já transformada em ação penal pela Justiça Federal do Rio de Janeiro e assinada pelo procurador da República Fábio Magrinelli Coimbra. 

A fraude foi descoberta pela PF somente após o pedido de Gilberto Carvalho e quando o Conselho do MTE decidiu prorrogar o registro da empresa em 7 de abril de 2005. Intimadas pela PF, duas funcionárias do MTE, que avalizaram a prorrogação, informaram à PF sobre o pedido do chefe de gabinete do presidente Lula.

Comitiva presidencial

Gannai é personagem conhecido no Palácio do Planalto não por sua atuação como empresário no Brasil. Ele foi intérprete do presidente em encontros com representantes da Libia. Em março deste ano, por exemplo, foi ele quem traduziu para o presidente Lula os termos da conversa que ele teve com Saif Kadaf, filho do presidente da Líbia, Muammar Kadafi. Saif é artista plástico e encontrou-se com Lula em São Paulo. Em 2003, Khalifa foi intérprete de reuniões de Lula com o próprio Kadafi em Trípoli, capital da Líbia. 

Um mês após a tentativa frustrada de conseguir o visto na PF de posse do documento do MTE, em maio de 2005, Khalifa Gannai serviu de tradutor para o ministro das Relações Exteriores da Líbia, Abdelrahman Mohamed Shalqam, durante a Cúpula América do Sul-Países Árabes, e em um encontro reservado com o presidente Lula no Palácio do Planalto. 

O encontro não consta da agenda oficial do presidente publicada na internet do dia 9 de maio de 2005, mas está registrado no sistema interno de recebimento de autoridades estrangeiras do Palácio Planalto, conforme encaminhou ao site a assessoria de Gilberto Carvalho. 

O português fluente, que ele aprendeu durante os mais de dez anos em que viveu no Brasil, ajudou Khalifa Gannai a se aproximar das autoridades brasileiras e ser habilitado como tradutor de confiança dos dois presidentes. 

E foi justamente essa condição do líbio que deu agilidade fora do comum ao seu pedido no MTE. Além dos documentos, das declarações falsas e do pedido de Carvalho, Khalifa e o chefe de gabinete de Lula disseram para as duas funcionárias do conselho de imigração que o tradutor integraria uma viagem do presidente Lula para a Líbia. E que tal viagem aconteceria dias depois de ele requerer a prorrogação do registro de investidor. 

Contradições

Neste mesmo processo, a então coordenadora do Conselho Nacional de Imigração, Hebe Teixeira Romano, e Heloísa Helena de Melo, atualmente na Divisão de Engenharia do MTE, confirmaram o pedido de Gilberto Carvalho. 

Hebe – que hoje é chefe de gabinete do advogado geral da União, Luís Adams – também reforçou que para dar agilidade à concessão da prorrogação, Khalifa afirmou que “integraria comitiva presidencial à Líbia".
O problema é que, em abril de 2005, quando Khalifa fez o pedido de prorrogação do registro, o presidente brasileiro não esteve na Líbia. Na ocasião, Lula foi à Itália e a países da África Ocidental.

Além disso, mesmo que não tenha sido para a Líbia, Khalifa não poderia ter integrado aquela comitiva presidencial. No dia 11 de abril de 2005, quando Lula estava na África num encontro com o presidente de Camarões, Paul Biya, Khalifa Gannai estava na Polícia Federal do Rio de Janeiro, tentando obter seu visto de permanência no Brasil, de posse exatamente da aprovação do registro de investidor concedido pelo Ministério do Trabalho quatro dias antes. A viagem de Lula seguiu até 14 de abril, e o presidente teve encontros com líderes da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Ecowas), organização da qual a Líbia não faz parte. 

Há ainda um outro ponto questionável na afirmação de que Khalifa Gannai precisaria do registro de investidor para integrar a comitiva de Lula caso ele fosse à Líbia. Ele é cidadão líbio. Não precisaria de nenhuma documentação brasileira para entrar sem problemas em seu país de origem. 

Carvalho se defende

Ao contrário do que disse Hebe Teixeira Romano, o chefe de gabinete de Lula afirmou que a suposta viagem presidencial não teve relevância para a obtenção do visto e que pedidos como este são comuns na Presidência da República. 

"Não tenho como provar se ele esteve ou não nesta viagem. Isso não é relevante, o relevante é que essa pessoa ajudou a melhorar a relação comercial entre os dois países", disse Gilberto Carvalho em entrevista ao Congresso em Foco.

"Quanto ao mérito, naturalmente, cabe ao profissional que analisa as condições se deve ou não atender. Eu pedi pura e simplesmente para ele ser atendido", defende-se o chefe de gabinete de Lula.

"Se o postulante integrou ou não comitiva presidencial, não é de meu conhecimento, nem de minha responsabilidade", justificou em nota encaminhada ao site a então coordenadora do Conselho Nacional de Imigração do MTE, Hebe Teixeira Romano. 

Fraude

Caso, porém, se comprove o que investiga o Ministério Público, a intervenção feita em favor de Khalifa Gannai contribuiu para que o líbio tivesse sucesso numa fraude. Para conseguir o registro no MTE, ele apresentou documento em que afirma ter aplicado 200 mil dólares no país, e um projeto em que informa atuação de sua empresa no mercado de importação e exportação de mercadorias em geral. Mas, no registro feito na Receita Federal ainda em 2001, a empresa tinha no ramo de atividade a comercialização de energia elétrica como área de atuação. 

Ocorre que, um ano antes da prorrogação do registro, o sócio de Khalifa, o ex-senador Ney Suassuna, já declarara publicamente que a empresa dos dois não tinha saído do papel. Em 2004, Suassuna, então líder do PMDB no Senado, foi aos jornais para responder matéria publicada pelo jornal Correio Braziliense. A reportagem mostrava a relação dele com o líbio. Suassuna e Khalifa pararam no jornal por uma razão não muito nobre: suspeitas de remessas ilegais de dinheiro para o exterior a partir de investigações da CPI do Banestado. 

"A nossa sociedade acabou não saindo do papel, já que ele foi obrigado a retornar ao seu país de origem e eu não tive tempo de tocar a empresa", respondeu Suassuna, ao justificar a sociedade com o líbio. O relatório final da comissão, que não chegou a ser votado, isentou Suassuna das acusações de lavagem de dinheiro e remessas ilegais para o exterior. 

Assim, as declarações públicas do ex-senador já demonstravam que o registro no MTE não poderia ter sido prorrogado. Afinal, o sócio brasileiro da empresa afirmava que ela nunca teve empregados e não funcionou de fato, pré-requisitos óbvios para a concessão do registro de investidor. 

“Peça-chave”

Ao Congresso em Foco, Carvalho disse que, na ocasião, não sabia das ligações de Khalifa Gannai com Ney Suassuna. "Vim saber isso agora, posteriormente, que tinha vinculação com o senador. Não houve pedido do senador. Esta pessoa é de confiança e, pelo que eu sei, continua ajudando empresas brasileiras que investem na Líbia", contou. 

"Ele é o único tradutor que funciona, o único de confiança. Eu estranho este processo do Kalifa, pois para nós ele tem sido uma peça-chave para as relações entre os dois países", completa.
Outra questão que deve intrigar os investigadores do caso. No relatório de gestão de 2005 do Conselho Nacional de Imigração não consta a aprovação do pedido do sócio do ex-senador junto com a de outros processos de estrangeiros deferidos pela pasta no mesmo ano, apesar de ter sido publicado no Diário Oficial da União (DOU). 

O site tenta há mais de uma semana contato com o MTE e com a servidora Heloísa Helena de Melo, por meio da assessoria de imprensa do Ministério do Trabalho. Até o fechamento desta edição, a reportagem não recebeu retorno ao pedido de esclarecimentos sobre este caso.

http://congressoemfoco.uol.com.br/noticia.asp?cod_canal=21&cod_publicacao=32874

sexta-feira, 7 de maio de 2010

STEVE McCURRY EM SÃO PAULO!!!!


Steve McCurry, fotógrafo de zonas de conflito, vem a SP
Autor de uma das mais marcantes imagens do século 20, participa de workshop e palestra na cidade
Simonetta Persichetti, especial para O Estado

SÃO PAULO - Esperar o momento certo para fotografar. Não ter pressa e ao mesmo tempo agir de forma certeira. Parece ser esta a tônica do fotógrafo Steve McCurry, que virá a São Paulo a convite do SP Photo Fest e da revista Fotografe Melhor para workshop e palestra no Museu da Imagem e do Som (MIS), entre os dias 20 e 23 de maio. Também está prevista, a exposição Desassossego da Cor no dia 25 na Galeria Babel. A exposição tem curadoria de Eder Chiodetto e de Jully Fernandes.
McCurry que já esteve presente nos maiores conflitos do mundo tornou-se conhecido nos anos 1980 ao fotografar uma menina afegã, Sharbat Gula. Os olhos verdes que nos fixavam diretamente fizeram a volta ao mundo na capa da National Geographic.
Mas suas fotos também nos trazem os conflitos de lugares como o Iraque, da ex-Iugoslávia, do Líbano e, é claro do Afeganistão. E foi no próprio Afeganistão que sua carreira de fotojornalista passou a ser reconhecida. Vestido com roupas locais, atravessou a fronteira com o Paquistão logo após a invasão soviética no final de 1979. Publicou as primeiras imagens do conflito. Também andou pela Índia, onde aprendeu, segundo ele, a ver e esperar, Tibete, Burma e fotografando os templos de Angkor Wat, assim como o ataque às Torres Gêmeas, nos Estados Unidos em 2001.
Seu trabalho está inserido dentro da mais tradicional escola do fotodocumentarismo. Uma fotografia humanista que se aproxima do sujeito fotografado com o respeito e com vontade de narrar histórias. Cada imagem é uma imagem que se sustenta por si própria, mas que consegue crescer quando editada ao lado de outras criando uma narrativa jornalística. Usa a cor como forma de linguagem, de poética. Um trabalho delicado, mas não por isso menos eficiente e contundente. De sua casa nos Estados Unidos, ele concedeu entrevista exclusiva por e-mail para o Estado.
Quase todos os fotojornalistas que fazem coberturas de guerra não gostam de se definir como fotógrafos de guerra. O senhor também não gosta. Por quê? E por que, então, estão sempre em áreas de conflito?
Eu sou um fotógrafo documentarista. Quero contar histórias com as minhas fotografias. Nos últimos 30 anos andei pelo mundo todo fotografando momentos cruciais de vários países como a Afeganistão, Líbano, Camboja, Índia e Tibete. Algumas pessoas são simplesmente levadas para a linha de frente por sua história particular. Querem ser testemunhas daquelas situações, ver por si próprias em primeira mão. É difícil de explicar, mas de certa forma esta motivação faz parte do DNA. Enquanto algumas pessoas fogem das cenas, outros estão indo ao seu encontro. Como fotógrafo documental me sinto compelido a contar estas histórias. Em muitos casos, as pessoas que você está fotografando não são capazes de contar sua própria história e, informar o mundo por meio dos jornais, revistas, rádio e televisão, é a melhor chance que elas têm de obter visibilidade e ajuda. Creio que cobrir áreas em conflito é importante. O drama humano destes lugares não pode ser subestimado e eu creio que conseguir transmitir estas emoções por meio de fotografias seja nobre. Fotógrafos querem estar perto do perigo porque é lá que as imagens estão.
Depois de tantos anos registrando conflitos, como o senhor vê a humanidade?
Desempenhamos papéis diferentes, mas somos parte da mesma raça humana. Somos iguais, mas fazemos coisas diferentes. Comemos comidas diferentes, vivemos em casas diferentes, falamos diversos idiomas. Sinto curiosidade e empatia pelo ser humano e cada criatura viva é fundamental para minha fotografia. Humanidade e preocupação com a vida neste planeta é o que me guia para conhecer pessoas e culturas.
Impossível não perguntar sobre a menina afegã, Sharbat Gula, que o senhor fotografou em 1984. Esta sua imagem, é talvez, um dos grandes ícones fotográficos do século 20. Por que decidiu procurá-la 20 anos depois?
A imagem desta menina foi reconhecida no mundo inteiro. Recebi várias cartas e e-mails até que decidi tentar encontrá-la. Muitos queriam conhecer sua história. Quando a achamos foram feitos vários testes científicos que comprovassem que era realmente ela. Mas nós não tínhamos dúvidas. O documentário que fizemos para encontrá-la teve um impacto muito forte em minha vida. Mas o melhor da história foi o fato de sermos capazes de reencontrá-la, ajudá-la e fazer sua vida melhor.
Qual a função do fotojornalismo para o senhor?
Gosto de homenagear pessoas, lugares e culturas por meio das minhas imagens. Também gosto de contar as histórias desses personagens com a minha fotografia - especialmente daqueles que mostrei em áreas de conflitos. Acho que esse é um aspecto importante do fotojornalismo - mostrar pessoas, o que está acontecendo.
Fazer uma reportagem fotográfica para um jornal diário ou revista semanal de informação é diferente de fotografar para uma revista como a National Geographic. Como é isso?
Fotografar para os jornais é bom porque te ensina muito sobre jornalismo e deadlines, sobre histórias e fotografia. O único senão é que existe um certo tipo de edição, que privilegia o impacto. Isso acaba por diminuir o mistério e a incerteza que muitas vezes é tão maravilhoso na fotografia: ser capaz de interpretar, cada um a sua maneira, o sentido de uma imagem. Raramente este tipo de ambiguidade tem espaço no mundo do jornalismo.
Existe mesmo um excesso de imagens no mundo hoje em dia? Como saber se a eficiência da imagem continua? Como manter a credibilidade de uma matéria?
A única tática que eu tenho é ser respeitoso, aberto, e ter consideração com as pessoas que eu fotografo. Não me canso de afirmar o quão importante é demonstrar respeito e delicadeza para com todas as pessoas. Problemas no mundo acontecem quando nos sentimos desrespeitados, não vistos e colocados de lado.
Quais suas expectativas para esse encontro aqui em São Paulo?
Espero aprender e trabalhar com fotógrafos e estudantes e também espero ter ótimas discussões durante a palestra. E também espero, como já te disse acima, fazer um belo ensaio explorando novos lugares de São Paulo e do Brasil.
Palestra
Quando: 20 de Maio (Quinta-Feira)
Onde: MIS. Auditório (170 Pessoas). Av. Europa, 158, 2117 4777. Quando: 20 de maio, 19h30. Quanto: grátis - Ingressos distribuídos 1h antes da palestra
Exposição Desassossego da Cor
Onde: Galeria Babel. Rua Dr. Virgilio de Carvalho Pinto, 422, Pinheiros.
Quando: 25 de maio, 18 horas.
Quanto: Grátis