quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O AMIGO, O IRMÃO, O LÍDER DE LULA


Kadafi: o “amigo” de Lula

Raquel Landim

O homem que Luiz Inácio Lula da Silva cumprimenta efusivamente na foto acima ordenou esta semana aos coronéis do exército que disparassem de helicóptero contra a população do seu próprio país. Organizações de direitos humanos estimam que 300 a 400 pessoas morreram. Em conjunto com milhares de outras, elas protestavam para tirar o ditador do poder.

Durante seu mandato, Lula se reuniu pessoalmente quatro vezes com o ditador da Líbia, Muamar Kadafi, que governa o país com mãos de ferro há 41 anos. Só em 2009 foram duas vezes. Na foto, clicada pela assessoria de imprensa do Planalto, os dois se encontraram na Cúpula América do Sul- África, que aconteceu na Isla Margarita, Venezuela, dia 26 de setembro de 2009. Poucos meses antes, em visita a Sirte, na Líbia, Lula chamou Kadafi de “meu amigo, meu irmão, líder”.

Na época, houve muitas críticas à aproximação de Lula com o ditador líbio. Aconselhado por seus assessores mais próximos (o ex-ministro Celso Amorim e o assessor especial da Presidência Marco Aurélio Garcia), Lula dizia que o Brasil não tinha preconceitos e que se tratava de uma diplomacia pragmática. Nada como um dia atrás do outro. Lula hoje é “irmão” de um maluco que manda atirar de helicóptero em seu próprio povo para se manter no poder.

Quais eram as reais motivações do ex-presidente? Uma delas pode ter sido o interesse das construtoras brasileiras, doadoras importantíssimas para as campanhas eleitorais. Rica em petróleo, a Líbia investiu bilhões de dólares em infraestrutura nos últimos anos. A Odebrecht foi a primeira construtora brasileira a se instalar no País em 2007, com obras no valor de US$ 1,4 bilhão. Foi seguida pela Andrade Gutierrez e pela Queiroz Galvão.
 
Talvez o presidente brasileiro tenha sido influenciado pelo colega venezuelano Hugo Chávez, que possui relações muito próximas com Kadafi. Os contatos entre Chávez e Kadafi começaram porque os dois países possuem reservas significativas de petróleo, mas evoluíram. São tão próximos hoje que o chanceler do Reino Unido, William Hague, chegou a afirmar que Kadafi teria fugido para Caracas.

Na sua coluna de hoje no jornal O Globo, Miriam Leitão, lembra que Lula não foi o único. Segundo a jornalista, o então primeiro-ministro britânico, Tony Blair, tratou Kadafi como estadista, os Estados Unidos normalizaram suas relações com a Líbia, enviando um embaixador, e a Organização das Nações Unidas aceitou que o país participasse como membro não permanente do Conselho de Segurança. No ano passado, a Líbia chegou a ser eleita para o conselho de direitos humanos da ONU. No foco de EUA e Inglaterra, estavam as reservas de petróleo da Líbia.

A diplomacia pragmática é, muitas vezes, uma necessidade, mas não pode ser uma regra. As contrutoras tem todo o direito de fazer lobby junto ao seu governo para defender seus interesses no exterior. O que não significa que o governo deve concordar. Lula representava um país. E é o Brasil agora que passa pelo vexame de ser “amigo” de um ditador assassino. Dilma Rousseff é “cria” de Lula e manteve Garcia no cargo, mas como ex-guerrilheira torturada pela ditadura deu sinais de que não vai sucumbir aos mesmos erros. “Não vou negociar nos direitos humanos. Não há concessões nessa área”, repetiu a presidente mais de uma vez. Tomara.


INTERESSES: O BRASIL TEM OS SEUS...

Fortuna de Kadafi chega a US$ 70 bi

Fundo de investimentos criado com a receita da venda do petróleo do país tem negócios espalhados por diversos países no mundo

Jamil Chade - O Estado de S.Paulo
Filho de um pastor beduíno, Muamar Kadafi usou o petróleo, corrupção e opressão para construir um fundo de investimentos de US$ 70 bilhões, que hoje tem seus tentáculos em todos os setores e regiões do mundo.

Ainda que o dinheiro venha do petróleo do país, o setor financeiro internacional considera a Autoridade de Investimentos da Líbia como uma empresa da família Kadafi. A eventual queda do ditador, portanto, poderia ter repercussões para dezenas de empresas pelo mundo.

Sem distribuir os recursos à população, a família Kadafi rapidamente acumulou uma fortuna e diversificou seus negócios. Seu fundo acumulou ainda lucros de US$ 2,5 bilhões em apenas quatro anos. Em 2010, comprou por quase US$ 400 milhões 3% das ações da Pearson, empresa que está por trás do Financial Times.

Na Grã-Bretanha, que hoje patrocina uma resolução na ONU contra Kadafi, o líbio ainda comprou uma série de propriedades. Na Rua Oxford, o ditador pagou mais de US$ 200 milhões pelo famoso edifício conhecido como Portman House.

Nos EUA, o Grupo Carlyle é parte dos parceiros do fundo de Kadafi, que também investe no setor têxtil da África. Em ações pelo mundo, o fundo ainda investiu US$ 1,5 bilhão. Na Áustria, a empresa de Kadafi comprou 10% da maior fabricante de tijolos do mundo, a Wienerberger.

Na Itália, a presença de Kadafi é ainda mais impressionante. Não por acaso, a bolsa de Milão é a que mais sofre com a crise em Trípoli. De ex-colônia italiana, a Líbia passou a ajudar empresas de Roma e Turim.

Em pelo menos três ocasiões, salvou a Fiat de graves problemas financeiros. A última vez foi em 2002, quando Kadafi comprou 2% da empresa. Os líbios detêm 7,5% do UniCredit, um dos maiores bancos da Itália, além de 2% no principal grupo industrial de armamento, Finmeccanica.

O líbio tem 7,5% das ações da Juventus, o time com maior número de títulos do futebol italiano. Isso, claro, para que seu filho fosse escalado para algumas partidas como jogador.

Na África, os investimentos em telecomunicações começaram em 2007, como em Uganda e outros sete países. Ainda comprou 24% da empresa Circle Oil, responsável pela exploração de gás no Egito, Marrocos, Namíbia, Omã e Tunísia.

No Brasil, os responsáveis pelo fundo buscam terras e afirmam que teriam US$ 500 milhões para gastar, segundo fontes da Câmara Brasil-Países Árabes.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110223/not_imp683316,0.php

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

É O FIM...


É O FIM...

PREFEITO DE MANAUS BRIGA COM MORADORA DE ÁREA DE RISCO
video

MANAUS - O prefeito de Manaus, Amazonino Mendes (PTB), discutiu hoje com uma moradora de uma comunidade onde morreram uma mulher e duas crianças soterradas sob um barranco. O prefeito disse que as pessoas na comunidade Santa Marta, na zona norte da capital amazonense, ajudariam a prefeitura "não fazendo casas onde não devem", ao que uma moradora não identificada retrucou: "Mas a gente está aqui porque não tem condição de ter uma moradia digna". O prefeito respondeu: "Minha filha, então morra, morra." 

Depois, a moradora disse que, se era assim, "então vamos morrer todos", ao que o prefeito questiona sua origem. Quando ela responde ser do Pará ele encerra a discussão dizendo: "Então pronto, está explicado". A discussão foi ao ar na íntegra no jornal TV Amazonas, filiada da Rede Globo.

A assessoria de imprensa da prefeitura não comentou o caso, mas disse que a Defesa Civil Municipal está cadastrando as pessoas na área de risco para providenciar casas alugadas. 

Vaias. Em 26 de novembro do ano passado, durante visita a Manaus do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Mendes foi vaiado pela plateia. "Nunca na minha vida sofri esse tipo de constrangimento. Se o Amazonino não tiver a aprovação do povo, vocês vão ter outro prefeito, porque eu vou sair. Eu vou mandar fazer uma pesquisa e se for negativa eu renunciarei o meu mandato", disse o prefeito na ocasião.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

DITADORES MORREM DE MEDO DA IMPRENSA

Canal da BBC para o Irã é bloqueado após cobertura sobre Egito

Protestos no Egito: interferências no sinal da TV iraniana após transmissão de manifestações
O serviço de televisão da BBC Persa está sofrendo interferências vindas de dentro do Irã. A interrupção do sinal ocorreu depois da divulgação de reportagens sobre os protestos realizados no Egito.

A interferência eletrônica está ocorrendo nos satélites que a BBC usa no Oriente Médio para transmitir o sinal da sua Persian TV para o território iraniano. Especialistas em satélites rastrearam a interferência e confirmaram que ela está vindo do Irã.

O canal de televisão em persa da BBC tem recebido a colaboração do seu canal de notícias em árabe na cobertura da crise política no Egito, fazendo inclusive muitas transmissões ao vivo dos acontecimentos nas ruas do Cairo. A BBC acredita que o impacto da cobertura seja o motivo por trás do bloqueio, que começou na noite de quinta-feira.

"Outros programas que podem ter causado preocupação dentro do Irã incluem uma transmissão ontem (quinta-feira), na qual os serviços de televisão da BBC árabe e persa se juntaram para um programa especial interativo, no qual iranianos e egípcios trocavam opiniões (por telefone)", informou a BBC em seu comunicado oficial.

Muitos telespectadores iranianos disseram estar acompanhando muito de perto a evolução dos acontecimentos no Cairo e em outros lugares na região.

Reação
O comando da BBC pediu o fim imediato da interferência nas transmissões. "Esse bloqueio deve acabar imediatamente. Os eventos no Egito estão sendo vistos pelo mundo inteiro e é errado que sejam negados à nossa importante audiência iraniana notícias e informações imparciais de nossa TV em persa", afirmou Peter Horrocks, diretor da BBC Global News.

"Esta é uma história regional que a TV persa está cobrindo cuidadosamente, e está claro, a partir da resposta de nossa audiência, que o povo iraniano quer saber o que está acontecendo no Egito."
"A BBC não vai parar de cobrir o Egito e continuará a transmitir para o povo iraniano", acrescentou Horrocks.

A TV persa da BBC foi lançada em 2009 e já sofreu tentativas parecidas de interferência em seu sinal desde então. Apesar da interferência, a TV persa da BBC continua transmitindo ao vivo pela internet.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

ASSASSINO PEDE LIBERTAÇÃO DE ASSASSINO!

SÓ MESMO UM ASSASSINO PARA PEDIR LIBERTAÇÃO DE OUTRO ASSASSINO...
 
Ativistas pedem libertação de Battisti a Dilma e STF

Brasília, 1 fev (EFE).- Um grupo de ativistas se manifestou nesta terça-feira diante do Supremo Tribunal Federal (STF), onde a presidente Dilma Rousseff participava de um ato, para pedir a libertação do italiano Cesare Battisti, preso em Brasília e reivindicado pela Itália.

Os manifestantes, cujo número a Polícia estimou em 50, se concentraram em frente ao tribunal com cartazes nos quais qualificavam o ex-ativista de extrema-esquerda italiano de "perseguido político" e exigiram sua libertação.

A chefe de Estado, que participou da cerimônia de abertura do ano judicial, dirigiu um olhar aos manifestantes e depois entrou no edifício, o qual deixou uma hora mais tarde sem fazer declarações sobre o assunto.

Battisti, que está preso no Brasil desde 2007, é reclamado pela Justiça da Itália, onde foi condenado a prisão perpétua por quatro assassinatos cometidos na década de 1970, quando era membro do grupo Proletários Armados pelo Comunismo.

A extradição, aprovada pelo STF, foi negada no dia 31 de dezembro pelo agora ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que foi um de seus últimos atos de Governo.

O tribunal deve agora retomar o caso para determinar se a polêmica decisão de Lula, que gerou fortes protestos na Itália, se ajusta aos termos do tratado de extradição assinado entre ambos os países.

A defesa de Battisti, no entanto, pediu sua libertação, pois entende que a decisão de Lula é justa e deve ser referendada pelo STF.