quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

OBAMA QUE SE CUIDE


Barack Obama nem havia sido eleito presidente da nação mais poderosa do planeta, onde os negros representam 12,8% apenas, e Lula-lá esculhambou: “Da mesma maneira que o Brasil elegeu um metalúrgico, a Bolívia um indígena (Evo Morales), a Venezuela (Hugo) Chávez e o Paraguai um ex-bispo (Fernando Lugo), acho que será uma coisa extraordinária se na maior economia do mundo um negro for eleito presidente”. Mas Lula estava em Cuba. Lá o esquerdismo permite uma frase dessas.

Mas o quê esperar de Obama? Destacando que o Brasil é emergente como a Rússia, China e Índia, e que poderá ser um dos remédios à ferida economia mundial resultando em um maior estreitamento de relações conosco... quase nada! É que os últimos presidentes democratas (esquerda americana) que deram atenção à América Latina foram John Fitzgerald Kennedy (1961-1963) e Jimmy Carter (1977-1981); sendo que JFK criou a “Aliança para o Progresso”: enviava ajuda aos países sul-americanos como alimentação e vestuário. Zéfini!

E Obama será empossado com a expectativa de 92% de eleitores descontentes com a economia que está em sua pior fase desde 1929. Terá de resolver primeiro a questão interna. A tarefa é hercúlea. Duvido que faça grandes mudanças. Mas os EUA já conseguiram êxito com o “New Deal” e, depois da Segunda Guerra, com Plano Marshall, reerguendo até inimigos ideológicos. Não se engane: os primeiros que sairão da crise serão os EUA; depois o mundo. E eles lucrarão com isso.

Enquanto Lula torcia pela negritude do candidato - e não por sua competência -, no Brasil os impostos sobem sete vezes mais do que os salários, o gasto com juros é oito vezes maior do que com a educação e os chamados trabalhadores de renda mista - os autônomos - tiveram perda de 21,1% no salário. Pior: segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), 50% dos brasileiros não dispõem de saneamento básico.

Kennedy era filho de embaixador, formado em Harvard, católico, com ascendência irlandesa, branco, bonito, herói de guerra, deputado federal por Massachusetts em 1948, 1950, 1952, além de senador. Em 1960, para presidente, venceu Richard Nixon. Em 1962 a crise dos mísseis quase deflagra uma guerra nuclear com os finados soviéticos, mas JFK ganha a queda de braço com Nikita Kruschev. Por ser inovador, foi baleado na Dealey Plaza, em Dallas, Texas, em 22 de novembro de 1963, supostamente por Lee Harvey Oswald. Teorias conspiratórias à parte, desagradou a indústria bélica estadunidense ao desejar um crescente desarmamento com a URSS. E ainda trocou vários figurões do alto escalão da CIA. Desagradou. Mó-rreu!

Obama não será como Kennedy. Mas deve se cuidar. Além de não ser rico, de família tradicional, herói de guerra etc., Ayman al Zawahri, da Al Qaeda, já avisou que o primeiro presidente americano negro é “o oposto dos honrosos americanos negros, como Malcom X”. Pelo menos com os terroristas nada mudou.

“Se você agir sempre com dignidade, talvez não consiga mudar o mundo, mas será um canalha a menos”, disse Kennedy. Ótimo conselho ao metalúrgico, ao indígena, ao militar, ao ex-bispo e ao negro. E aos brasileiros também; é claro...

André Arruda Plácido é relações públicas, jornalista e especialista em comunicação e liderança em missões mundiais pelo Haggai Institute de Cingapura. www.andrearrudaplacido.blogspot.com – http://fotologue.jp/andrearrudaplacido

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